Laudo confirma: arma usada para matar gari em BH pertence à delegada, esposa do autor do disparo
Investigação aponta ligação entre homicídio e arma registrada, não pertencente à corporação policial civil

Luciano Meira
O laudo pericial criminalístico divulgado nesta sexta-feira (15) confirmou que a arma utilizada para matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, em Belo Horizonte, pertence à delegada da Polícia Civil de Minas Gerais, Ana Paula Lamego Balbino Nogueira. O crime ocorreu no bairro Vista Alegre, na manhã de segunda-feira (11), após uma discussão de trânsito que chocou a população da capital.
O que aconteceu: discussão banal terminou em assassinato
Segundo testemunhas, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, 47, marido da delegada, irritou-se com o caminhão de coleta que, segundo ele, atrapalhava o tráfego. Após ameaças verbais, Renê desceu do veículo, sacou uma pistola calibre .380 e disparou contra o gari, que foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital. O atirador foi preso em flagrante horas depois, em uma academia, e reconhecido por testemunhas como autor do disparo.
Origem da arma e responsabilidades
A pistola usada no crime estava registrada em nome de Ana Paula, delegada de carreira, com posse autorizada por sua função pública. A arma, assim como outra de uso funcional da delegada, foi entregue espontaneamente à Polícia Civil para perícia. O teste balístico confirmou que foi o mesmo armamento utilizado no assassinato, como suspeitava a investigação. A delegada, que não estava presente no momento do crime, não é considerada suspeita de participação direta, mas responde a procedimento disciplinar referente à guarda e cautela do armamento. Se comprovada negligência, as penas podem ir de advertência até demissão.O empresário Renê foi autuado por homicídio qualificado — motivo fútil e recurso que dificultou defesa da vítima — além de porte ilegal de arma e ameaça. O caso também levanta debates sobre responsabilização penal e administrativa da delegada no uso indevido de arma de fogo registrada funcionalmente.
Repercussão e apelo por justiça
No velório, familiares e colegas de Laudemir clamaram por justiça e responsabilização pelo crime. A categoria dos garis, sensibilizada, cobra rigor na punição do autor e acompanhamento do caso junto aos órgãos competentes. O inquérito segue em andamento, tanto no âmbito criminal quanto no administrativo, para esclarecer todos os pontos do episódio brutal