Lula cobra regulação das redes sociais e desafia “taco” Trump no Congresso

Projeto do governo busca proteger crianças e adolescentes, enfrentando algoritmos perversos e pressões externas; presidente reforça soberania diante das tarifas e adiamentos de Trump

Presidente Lula (PT) – Foto: Ricardo Stuckert/PR
Luciano Meira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou nesta quarta-feira ao Congresso Nacional um projeto de lei que promete mexer nas bases do funcionamento das redes sociais no Brasil. O foco central: responsabilizar as big techs e proteger crianças e adolescentes da destruição causada por algoritmos que, ao invés de isolar conteúdos criminosos, os promovem e mantêm em circulação. Ao mesmo tempo, Lula fez questão de confrontar o presidente dos EUA, Donald Trump — apelidado de “TACO” (“Trump Always Chickens Out”, ou “Trump Sempre Amarela”), em alusão ao padrão de recuos e adiamentos de suas ações políticas, como a aplicação de tarifas e sanções comerciais contra o Brasil e a China.O texto aliado à firme defesa da soberania nacional ocorre num contexto delicado: nos últimos dias, vídeos de influenciadores revelaram como os sistemas das plataformas digitais, em busca de engajamento e lucro, não protegem usuários vulneráveis — nem mesmo crianças. O youtuber Felca viralizou ao expor como, interagindo de forma dirigida, é possível orientar o algoritmo para receber e propagar conteúdo sexualizado de menores em poucos minutos. A denúncia mobilizou sociedade civil e Congresso, levando a pedidos de CPI e a tramitação acelerada do projeto proposto por Lula, que busca critérios de responsabilização e punição.

Big techs ignoram crimes, algoritmo serve à exploração

O projeto trata de crimes graves: exploração sexual, adultização e exposição indevida de público infantojuvenil. Especialistas apontam que as plataformas digitais, dominadas por grandes corporações tecnológicas, priorizam engajamento e monetização, tolerando ou simplesmente ignorando a circulação de conteúdos violentos e criminosos. Na prática, ninguém assume responsabilidade: algoritmos sofisticados, operados por empresas bilionárias, favorecem a exposição e a exploração de menores — e o lucro, claro, é distribuído entre as big techs e influenciadores, enquanto famílias pagam o preço emocional e social.

Lula enfrenta pressão externa e recados do “TACO”

A firme posição de Lula em defesa da regulação das redes sociais provocou críticas do presidente Trump, que acusou o Brasil de “censura” para justificar um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros — mais do que o dobro aplicado ao resto do mundo. Segundo o jornal Financial Times e analistas, o apelido “TACO” foi consolidado no mercado para ironizar o vaivém das medidas do líder norte-americano, que recuou ou suspendeu tarifas contra a China, Brasil, e outros parceiros comerciais por diversas vezes. Dados oficiais apontam que, apesar de anunciar sanções draconianas, Trump retirou quase 700 itens do tarifaço, alegando sempre motivos provisórios ou diplomáticos.

Lula não hesitou em responder: “O Brasil não aceitará ser tutelado por ninguém. Se acham que podem impor sanções por decisões brasileiras, responderemos no campo legal e comercial, com base na Lei da Reciprocidade Econômica. Não é admissível abrir mão da proteção das crianças por caprichos políticos de outros países”.

Parlamentares aceleram debate e sociedade exige resposta

Após a denúncia dos algoritmos perversos, deputados e senadores se mobilizaram e já somam 12 novas propostas para endurecer regras, além de pelo menos outras 26 em tramitação. Personalidades públicas e pesquisadores pressionam pelo uso de filtros rigorosos, bloqueios preventivos e responsabilização real das plataformas. Não é tolerável, afirmam especialistas, que crimes como pedofilia e exploração sexual se tornem nichos digitais lucrativos, protegidos pelo silêncio das big techs e pela inércia da regulação.

Num Brasil marcado pelo aumento de violência virtual e tentativas de ingerência externa, a defesa firme de Lula pela soberania e a proteção dos mais vulneráveis mostra um acerto político e ético. A esperança é que o Congresso responda à altura — e que a regulação não seja mais uma promessa adiada, como tantas feitas pelo “TACO” nos Estados Unidos.

O Metropolitano

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