Mateus Simões é acusado de ameaçar deputada Lud Falcão e expõe face autoritária
Pré-candidato ao governo de Minas teria exigido desculpas por críticas do marido da deputada sob pena de retaliação; episódio reforça receios sobre desprezo à divergência

Luciano Meira
O vice-governante de Minas Gerais e pré-candidato ao governo, Mateus Simões (PSD), está no centro de uma grave acusação de intimidação política. A deputada estadual Lud Falcão (Podemos) denunciou, por meio de vídeo nas redes sociais, ter sido alvo de ameaças diretas do vice-governador. Segundo a parlamentar, Simões afirmou que “fecharia as portas” do Estado para ela caso seu marido não lhe pedisse desculpas até a meia-noite por críticas feitas à gestão estadual.
O pivô do desentendimento são as declarações de Luís Eduardo Falcão, prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM). Em defesa das prefeituras, o prefeito questionou custos impostos pelo Estado aos municípios. A reação de Simões, em vez de institucional e diplomática, foi cobrar uma retratação familiar de forma impositiva, atingindo o exercício do mandato da deputada.
A política do ultimato
Para o leitor que acompanha o cenário político, a postura de Mateus Simões revela um preocupante desvio de conduta democrática. Ao personalizar a gestão pública e utilizar a estrutura do Estado como ferramenta de pressão pessoal, o vice-governador demonstra que enxerga o poder como um instrumento de punição a quem diverge de suas opiniões.

A exigência de desculpas, com prazo determinado e tom de ultimato, ignora a autonomia dos poderes e a liberdade de expressão. Lud Falcão classificou a atitude como “tirana” e “machista”, destacando que o vice-governador tentou usá-la como mensageira para silenciar o marido, desrespeitando seus mais de 59 mil eleitores e sua independência parlamentar.
Contradição e risco democrático
O episódio acende um sinal de alerta sobre o que esperar de uma eventual gestão de Simões à frente do Palácio Tiradentes. Se como vice-governador ele já adota métodos de isolamento administrativo para punir críticos e aliados independentes, sua ascensão ao cargo máximo do Estado sugere um endurecimento contra qualquer forma de oposição.
A tentativa de “mandar os porteiros não atenderem” uma deputada eleita é o ápice do desrespeito institucional. Minas Gerais, historicamente um palco de moderação e diálogo, vê em seu pré-candidato governista uma liderança que parece preferir o silêncio dos submissos ao debate franco. Ao confundir discordância política com ofensa pessoal, Mateus Simões abdica da estatura necessária para governar e revela um perfil que flerta com o autoritarismo antes mesmo de chegar às urnas.
