Minas Gerais consolida liderança nacional na geração de energia solar
Com marca superior a 13 gigawatts de potência, estado responde por mais de 20% da produção brasileira e atrai investimentos bilionários em novos parques

Luciano Meira
Minas Gerais mantém a posição de maior produtor de energia solar fotovoltaica do Brasil em 2026. O estado superou a marca de 13,7 gigawatts (GW) de potência instalada, o que representa aproximadamente 22% de toda a capacidade solar do país. O volume é suficiente para abastecer mais de 7 milhões de residências e supera a capacidade de geração de países inteiros, como Portugal e Egito.
A liderança mineira é sustentada por dois pilares: a geração centralizada, composta por grandes usinas que vendem energia para o sistema nacional, e a geração distribuída, que inclui painéis instalados em telhados de casas e empresas. O crescimento do setor no estado foi de 1.600% desde 2019, impulsionado por altos índices de radiação solar e políticas públicas de incentivo fiscal, como a isenção de ICMS para usinas de pequeno e médio porte.
Projetos em operação e expansão
Atualmente, Minas Gerais abriga alguns dos maiores empreendimentos solares do mundo. O Complexo Solar de Janaúba, no Norte de Minas, é o principal destaque em operação, com capacidade de 1,2 GW distribuída em 20 parques solares. Outro projeto relevante é o Sol do Cerrado, em Jaíba, operado pela mineradora Vale, que conta com 1,4 milhão de painéis e potência de 766 megawatts (MW).
O cronograma de expansão para 2026 prevê a entrada em operação de novos polos:
Triângulo Mineiro: Estão em fase de finalização 11 novos parques fotovoltaicos com investimento estimado em R$ 140 milhões.
Vale do Mucuri: A região recebe investimentos para se tornar um novo polo renovável, com projetos que já ultrapassam 1 GW em novas operações.
Vale do Rio Doce: A Usina Vale do Aço I, em Engenheiro Caldas, iniciou operações recentemente como a maior unidade da região.
Panorama e investimentos
O setor solar tornou-se o terceiro maior captador de recursos privados no estado. Desde 2019, os investimentos saltaram de R$ 6,9 bilhões para mais de R$ 76 bilhões, gerando cerca de 7 mil empregos diretos e indiretos. A expectativa do governo estadual é que Minas receba até R$ 3,7 bilhões em novos aportes apenas neste ano.
Além do impacto econômico, a diversificação da matriz energética mineira reduz a dependência histórica de hidrelétricas e fontes fósseis. Com a queda global nos preços de painéis solares — que recuaram cerca de 60% nos últimos três anos —, a tecnologia tornou-se acessível para consumidores residenciais por meio de modelos de assinatura, consolidando a transição energética no território mineiro.
