Ministra Macaé Evaristo afirma que pactos de direitos humanos foram “rifados” por potências globais
Ministra declarou em São Paulo que a lei do mais forte tem prevalecido sobre a autodeterminação dos povos e a democracia

Luciano Meira
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, afirmou na noite desta segunda-feira (26) que a Carta de Princípios dos Direitos Humanos — o conjunto de normas internacionais que estabelece direitos fundamentais para todos os indivíduos — foi “rifada” por grupos que detêm a hegemonia do poder global. Segundo a ministra, conceitos democráticos estão sendo distorcidos para validar a autoridade de nações mais fortes sobre as mais fracas.
A declaração ocorreu durante visita à Casa do Povo, centro cultural no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. O local, fundado pela comunidade judaica após a Segunda Guerra Mundial em memória das vítimas do nazismo, serviu de palco para a crítica da ministra ao atual cenário geopolítico. Macaé argumentou que acordos internacionais sobre soberania e respeito mútuo estão sendo ignorados em favor de interesses unilaterais.
Contexto e território
A agenda da ministra na capital paulista incluiu visitas ao Memorial do Holocausto e à instituição beneficente Ten Yad. Durante a atividade, o diretor da Casa do Povo, Benjamin Seroussi, reforçou o tom crítico ao mencionar as violações de direitos humanos que ocorrem no próprio território onde as instituições estão sediadas.
Seroussi citou episódios como o despejo de populações vulneráveis na Favela do Moinho e ataques a pessoas em situação de rua na região central. Para o diretor, a história do povo judeu e o combate ao antissemitismo não podem ser dissociados da luta contra outras formas de opressão atuais.
Direitos Humanos sob pressão
A fala de Macaé Evaristo reflete uma preocupação com o desgaste de tratados estabelecidos após 1945, que visavam impedir a repetição de atrocidades e garantir a dignidade humana em nível global. No entendimento da ministra, o abandono desses princípios pactuados fragiliza a proteção de grupos minoritários e a autonomia de países com menor influência econômica e militar.
