Morre aos 73 anos Raul Jungmann, ex-ministro da Defesa e da Segurança
Político pernambucano lutava contra um câncer no pâncreas; velório será restrito a familiares e amigos em Brasília

Luciano Meira
O ex-ministro e ex-deputado federal Raul Jungmann morreu na noite deste domingo (18), aos 73 anos, em Brasília. Ele estava internado no hospital DF Star, onde realizava tratamento contra um câncer no pâncreas diagnosticado há cerca de dois anos. A informação foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade que ele presidia desde 2022.
Jungmann teve uma trajetória marcada pela atuação em áreas estratégicas do Estado brasileiro sob diferentes matizes políticas. Natural de Recife (PE), iniciou sua militância na esquerda clandestina durante a ditadura militar e, após a redemocratização, consolidou-se como um articulador pragmático no governo federal.
Carreira no Executivo
Sua projeção nacional ocorreu no governo de Fernando Henrique Cardoso, quando ocupou o Ministério do Desenvolvimento Agrário entre 1996 e 2002. Na pasta, foi responsável por coordenar a política de reforma agrária em um período de intensos conflitos no campo. Antes, havia presidido órgãos como o Ibama e o Incra.
Anos depois, Jungmann retornou ao primeiro escalão no governo de Michel Temer. Em 2016, assumiu o Ministério da Defesa, tornando-se um interlocutor central entre o poder civil e as Forças Armadas. Em 2018, tornou-se o primeiro titular do recém-criado Ministério da Segurança Pública, onde defendeu a integração das polícias e a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
Legado e repercussão
Nos últimos anos, à frente do Ibram, o ex-ministro dedicou-se a promover pautas de sustentabilidade e governança ambiental no setor mineral. Em nota, o instituto destacou sua “capacidade de diálogo e ética”, afirmando que Jungmann deixa um legado de espírito republicano.
Autoridades e lideranças políticas manifestaram pesar pela morte do ex-ministro. O Supremo Tribunal Federal (STF), em nota assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, classificou-o como um “grande democrata” e exemplo de homem público. Raul Jungmann deixa esposa e dois filhos. Seguindo um desejo pessoal do político, as cerimônias de despedida serão reservadas ao círculo íntimo da família.
