Mostra de Tiradentes terá 13 longas em pré-estreia mundial
Evento mineiro, vitrine pioneira do cinema brasileiro, abre calendário de festivais de 23 a 31 de janeiro com foco em soberania imaginativa

Luciano Meira
A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, de 23 a 31 de janeiro de 2026 na cidade histórica mineira, exibirá 13 longas-metragens em pré-estreia mundial nas mostras competitivas Olhos Livres e Aurora, avaliadas por júris oficial e jovem. A programação gratuita, em formato presencial e online, reúne 140 filmes brasileiros inéditos, refletindo diversidade estética e regional sob o tema “Soberania Imaginativa”. A curadoria destaca o vigor do cinema independente, com obras de baixo orçamento que antecipam tendências nacionais.
Importância histórica do evento
Criada em 1998 pela Universo Produção, a Mostra de Tiradentes se consolidou como a primeira grande vitrine anual do cinema brasileiro, abrindo o calendário de festivais e funcionando como termômetro para produções que ganharão destaque no ano. Ao longo de 28 edições anteriores, o evento lançou cineastas, exibiu centenas de obras ousadas e promoveu debates críticos, posicionando-se como polo de formação, reflexão e difusão do audiovisual contemporâneo. Espaços como o Cine-Praça, com sessões ao ar livre seguidas de bate-papos, e 16 atividades formativas gratuitas reforçam sua identidade como território fértil para novos nomes e tendências.
Mostra Olhos Livres: ousadia consolidada
Voltada a cineastas experientes, a Olhos Livres exibe sete longas que exploram liberdade formal e risco estético: Meu Tio da Câmera (Bernard Lessa, ES), Tannhäuser (Vinícius Romero, SP), Anistia 79 (Anita Leandro, RJ), As Florestas da Noite (Priscyla Bettim e Renato Coelho, SP), O Enigma de S., de Gustavo de Mattos Jahn (RJ), Ao Sabor das Cinzas (Taciano Valério, PE) e Amante Difícil (João Pedro Faro, RJ). As obras dialogam com questões atuais, investindo em experimentação narrativa e visual.
Mostra Aurora: revelação de estreantes
Dedicada a diretores em longa-metragem de estreia, a Aurora apresenta seis títulos que sinalizam novos rumos no audiovisual: Vulgo Jenny (Viviane Goulart, GO), Sabes de Mim, Agora Esqueça (Denise Vieira, DF), Politiktok (Álvaro Andrade, BA), A Voz da Virgem (Pedro Almeida, RJ), Para os Guardados (Desali e Rafael Rocha, MG) e Obeso Mórbido (Diego Bauer, AM). Muitos financiados por recursos próprios ou editais modestos, os filmes evidenciam a potência do cinema periférico e independente brasileiro.
Além das competições
O Cine-Praça no Largo das Forras projeta clássicos como Querido Mundo (Miguel Falabella) e Em Dolores (Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar), além de curtas diários. Masterclasses, oficinas e homenagens completam a agenda, acessível no site oficial da Mostra. Para a coordenadora Raquel Hallack, o evento fortalece a soberania criativa do Brasil, projetando vozes regionais para o circuito nacional e internacional.
