Move Brasil libera quase R$ 2 bilhões para renovação de frota de caminhões

Programa federal financia compra de veículos novos e seminovos em um mês, com juros reduzidos para reaquecer setor afetado por juros altos

Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

O programa Move Brasil liberou cerca de R$ 2 bilhões em financiamentos para aquisição de caminhões novos e seminovos no primeiro mês de vigência, conforme anunciou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante evento em Guarulhos (SP). Lançada para substituir veículos antigos e impulsionar as vendas do setor, que recuaram 9,2% em 2025, a iniciativa já registra 1.152 operações aprovadas em 532 municípios, com valor médio de R$ 1,1 milhão por operação.

Anúncio e impacto inicial

Alckmin atribuiu a queda nas vendas de caminhões à taxa Selic elevada, que chegou a 22% ou 23% ao ano, dificultando financiamentos para bens duráveis como os veículos pesados, essenciais para o escoamento da safra recorde de 17,9% e das exportações de US$ 349 bilhões em 2025. Com taxas de juros entre 13% e 14% ao ano no Move Brasil, empresários como Orlando Boaventura, de Santa Isabel (SP), já adquiriram o 29º caminhão para sua frota familiar, prevendo economia de até R$ 200 por viagem em combustível e contratações de mais cinco funcionários.O programa, operado pelo BNDES, beneficia caminhoneiros autônomos, cooperados e empresas transportadoras, com teto de R$ 10 bilhões – R$ 1 bilhão exclusivo para autônomos –, prazos de até cinco anos e carência de seis meses, cobertos por garantias de até 80% via Fundo Garantidor de Investimentos (FGI). Veículos devem ser fabricados a partir de 2012 e atender critérios ambientais, com condições melhores para quem entrega modelos antigos para desmonte.

Contexto do setor e vendas em 2025

O mercado de caminhões fechou 2025 com retração de 9,2%, sendo 20,5% para modelos pesados de longa distância, e janeiro de 2026 registrou queda de 34,67% em relação a igual período do ano anterior, segundo a Anfavea. Representantes da indústria, como o CEO da Scania, Christopher Polgorski, pedem a perenização do Move Brasil para sustentar empregos diretos e indiretos – cada posto na produção e vendas preserva seis indiretos.

Wellington Damasceno, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, elogiou o diálogo entre governo, empresas e sindicatos na elaboração do programa, que visa reduzir emissões de carbono e modernizar a logística sustentável. Alckmin afirmou que o Move Brasil não tem prazo fixo e durará até esgotar os recursos, com possível análise para aumento do teto, alinhado a expectativas de queda na Selic a partir do terceiro trimestre.

Detalhes operacionais e critérios

O limite por usuário é de R$ 50 milhões, com foco na Renovação da Frota para troca de veículos obsoletos, promovendo eficiência energética e menor consumo de combustível. A iniciativa integra esforços do governo federal para reaquecer a cadeia produtiva, que abrange montadoras, concessionárias e fornecedores de peças, em meio a um cenário de comércio exterior robusto de US$ 629 bilhões.

Para acessar os recursos, interessados devem comprovar enquadramento nos critérios ambientais e entregar veículos antigos quando aplicável, garantindo benefícios adicionais nas taxas. O ministro destacou que o programa antecipa a melhora nas condições de crédito, respondendo à demanda por transporte eficiente de grãos e produtos exportáveis até portos e aeroportos.

O Metropolitano

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