MP de Minas alerta para riscos da exposição infantil nas redes sociais
Recomendação é evitar fotos de crianças com uniforme escolar; superexposição facilita golpes como trotes de sequestro e engenharia social, em meio a alta de crimes cibernéticos contra menores no país

Luciano Meira
O Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público de Minas Gerais (Gaeciber/MPMG) emitiu alerta a pais e responsáveis para evitar a publicação de fotos de filhos com uniforme escolar ou detalhes da rotina em redes sociais. Segundo o coordenador André Salles, promotor de Justiça, tais informações revelam nome da escola, horários e trajetos, servindo de base para criminosos em trotes de sequestro ou ataques reais. O aviso, divulgado nesta segunda-feira (9), ocorre na volta às aulas e visa prevenir a “engenharia social”, técnica comum em que golpistas criam perfis falsos para ganhar confiança das vítimas.
Contexto dos riscos cibernéticos
A superexposição online não se limita a crimes tecnológicos avançados, mas fornece dados preciosos para delinquentes comuns, como rotina familiar e locais frequentados pelas crianças. Salles enfatiza que “qualquer informação serve como identidade”, facilitando montagens de fotos ou extorsões. Dados do IBGE de 2024 indicam que 94% dos brasileiros acessam a internet, o que reforça a necessidade de limites impostos por pais, como restrição de visualizações em postagens.
Ações e estatísticas nacionais
O Gaeciber promove campanhas contínuas de conscientização, inclusive internas no MPMG, e obteve condenações como 14 anos por crimes sexuais e 12 anos por extorsão em 2025 . Relatórios da SaferNet revelam que, de janeiro a julho de 2025, 64% das 76.997 denúncias de crimes digitais —ou 49.336 casos— envolviam abuso e exploração sexual infantil, com picos ligados a conteúdos virais e uso de IA para deepfakes. Iniciativas semelhantes, como a campanha “Dia da Internet Segura” do MPMG, coincidem com a matrícula de 1,6 milhão de alunos na rede estadual mineira.
Orientações para uso responsável
Pais devem monitorar postagens, limitar acessos e dialogar sobre limites nas redes, evitando compartilhar dados que identifiquem escolas ou horários. O MPMG reforça que o controle parental é essencial para mitigar riscos, especialmente com o avanço de ferramentas como inteligência artificial em crimes contra menores. Denúncias podem ser feitas via canais oficiais para repressão rápida.
