Município mineiro instala sistema de baterias e fica imune a apagões
Serra da Saudade utiliza tecnologia pioneira com energia solar para garantir autonomia elétrica por até 48 horas

Luciano Meira
O município de Serra da Saudade, em Minas Gerais, conhecido por possuir a menor população do Brasil, tornou-se o primeiro a receber um sistema de microrrede elétrica capaz de isolar a cidade de interrupções no fornecimento de energia. A tecnologia, inaugurada em janeiro de 2026, combina painéis solares e baterias de alta capacidade para evitar os tradicionais apagões que atingem regiões isoladas.
O projeto foi desenvolvido pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) com um investimento de R$ 7 milhões. Ele funciona como um sistema de reserva inteligente: uma usina fotovoltaica gera energia durante o dia e carrega um banco de baterias de 2,0 MWh. Caso a linha de transmissão principal que abastece a cidade sofra alguma falha — comum em áreas rurais devido a tempestades ou queda de árvores —, o sistema de baterias assume o abastecimento de forma automática.
Autonomia e estabilidade
De acordo com a concessionária, o sistema foi dimensionado para sustentar toda a demanda da cidade por até 48 horas sem necessidade de suporte da rede externa. Com pouco 833 habitantes, Serra da Saudade foi escolhida estrategicamente por ser um ponto de final de linha, onde a construção de novas redes convencionais seria mais cara do que a implementação da nova tecnologia.
Além de servir como “socorro” em emergências, as baterias trabalham continuamente para regular a tensão elétrica. Isso reduz as oscilações que costumam danificar aparelhos domésticos em cidades pequenas, mantendo o fluxo de energia estável dentro dos padrões exigidos pelas agências reguladoras.
Modelo para o país
O projeto em Serra da Saudade funciona como um laboratório vivo; o sucesso da operação deve levar a tecnologia para pelo menos outras dez localidades em Minas Gerais com características geográficas e populacionais semelhantes.
Para os moradores, a mudança representa o fim de uma insegurança histórica. Falhas na rede poderiam deixar a cidade no escuro por dias até que equipes de manutenção chegassem ao local. Agora, a transição para as baterias ocorre de forma quase imperceptível para o consumidor final.
