Não falha um: Nome do senador Carlos Viana está na lista de contatos de Vorcaro
Nome do senador aparece em agenda de dono do Banco Master, suspeito de fraudes bilionárias em consignados

Luciano Meira
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, deve enfrentar questionamentos sobre possível conflito de interesses após seu nome surgir na agenda de contatos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado por desvios estimados em até R$ 17 bilhões em empréstimos consignados à Previdência. A lista, extraída pela Polícia Federal após quebra de sigilo, inclui ainda ministros do STF como Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques, além de líderes do Congresso como Davi Alcolumbre e Hugo Motta.
A CPMI, instalada para apurar fraudes em consignados que afetaram aposentados e pensionistas, tem Viana à frente na cobrança pelo depoimento de Vorcaro, adiado diversas vezes por decisões judiciais e negociações com a defesa. O banqueiro, preso em novembro de 2025 na Operação Compliance Zero e solto sob medidas cautelares, recusou-se a fornecer a senha do celular, protegido por camadas extras de segurança, mas a PF acessou os dados recentemente com nova tecnologia. Viana pressiona o STF por acesso irrestrito aos materiais e anunciou recursos contra decisões que limitam a comissão, como a de Flávio Dino que suspendeu quebra de sigilo de uma investigada.
A presença do contato de Viana na agenda de Vorcaro gera constrangimento político, pois o parlamentar lidera a investigação contra o banqueiro sem ainda haver explicado publicamente a conexão. Não há registros de mensagens trocadas ou favores comprovados entre eles, diferentemente de casos como o do senador Ciro Nogueira, cujas trocas foram destacadas por Viana em recente entrevista à TV Senado. Críticos apontam hipocrisia, já que Viana acusa a PF de filtrar documentos e briga no STF por transparência, mas silencia sobre sua inclusão na lista.
Viana se posiciona como “guardião da honra” da CPMI, detonando “manobras” de Vorcaro e reunindo-se com Toffoli e André Mendonça para destravar apurações. Em entrevistas recentes, defendeu a prorrogação da comissão e uma investigação independente sobre episódios como a morte do “sicário” ligado a Vorcaro na carceragem da PF de Belo Horizonte.
O episódio pode minar a credibilidade da CPMI, alimentando acusações de seletividade em um período pré-eleitoral, especialmente com Viana usando a investigação para tentar alavancar sua candidatura à reeleição, com o bônus de uma eventual projeção nacional. Juristas veem risco de suspeição formal se influência for comprovada, mas a mera presença em agenda não sustenta medidas éticas drásticas sem provas adicionais. A comissão segue com prioridade nos trabalhos, priorizando o depoimento de Vorcaro e devoluções a vítimas, em meio a 250 mil contratos suspensos pelo INSS por falta de comprovação.
