Nikolas Ferreira confirma ter contratado designer de sobrancelha no gabinete
Após condenação por transfobia e histórico de ataques a parlamentares trans, Nikolas agora vira piada ao justificar contratação de designer de sobrancelha como secretária parlamentar

Luciano Meira
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), famoso por seus discursos inflamados contra minorias e ataques frequentes a deputadas e pessoas trans, protagonizou mais um episódio digno de nota — ou de riso. O parlamentar admitiu publicamente ter contratado uma designer de sobrancelhas para seu gabinete na Câmara dos Deputados. Mas, segundo ele, não se trata de vaidade: “Sim, eu contratei. Ela tá aqui. Mas não pra fazer minha sobrancelha. E dá pra ver, ó. Porque se for contratada pra isso, tá demitida”, ironizou Nikolas, apontando para as próprias sobrancelhas em vídeo nas redes sociais.
A profissional em questão, Brennda Luiara Lima Liberato, ocupa o cargo de secretária parlamentar desde maio do ano passado, com salário de cerca de R$ 3,8 mil. Nikolas, que não perde a oportunidade de acusar colegas de “desvio de função” — como fez recentemente ao atacar Erika Hilton (PSOL-SP) por contratar maquiadores —, agora tenta convencer o público de que sua designer não passa de uma eficiente secretária. Afinal, incoerência nunca foi problema para quem já coleciona polêmicas e condenações judiciais.Vale lembrar que Nikolas Ferreira não é novato em controvérsias. O deputado já foi condenado por transfobia em decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça, devendo indenizar a deputada Duda Salabert (PDT-MG) em R$ 30 mil após se recusar a tratá-la pelo pronome feminino e insistir em negar sua identidade de gênero. Não satisfeito, Nikolas também foi sentenciado a pagar R$ 200 mil por danos morais coletivos devido a um discurso considerado de ódio contra pessoas trans no plenário da Câmara, quando vestiu uma peruca e ironizou a existência de mulheres transexuais no Dia Internacional da Mulher.
A ironia é inevitável: quem faz da transfobia e do ataque a parlamentares trans sua principal bandeira, agora precisa explicar ao público por que, afinal, emprega uma designer de sobrancelhas no gabinete. Se para Nikolas, como ele mesmo diz, “se fosse pra fazer minha sobrancelha, tava demitida”, resta ao eleitor decidir se o parlamentar está mesmo preocupado com a ética ou apenas com a própria imagem — ainda que, aparentemente, nem as sobrancelhas escapem ilesas de tanta contradição.
Em Brasília, o que não falta é maquiagem. Só falta coerência.