Nikolas Ferreira enfrenta nova denúncia por fake news e ligação com crime organizado
Deputado federal do PL acumula investigações e processos judiciais que trazem riscos à sua carreira política e questionam sua prática constante de disseminar notícias falsas

Luciano Meira
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) está no centro de uma série de graves acusações, que vão desde a disseminação de fake news contra instituições financeiras até suposta colaboração indireta com organizações criminosas como o PCC. Nesta quinta-feira (28), uma representação formal foi protocolada junto à Procuradoria-Geral da República pelo deputado Rogério Correia (PT/MG) para que o Supremo Tribunal Federal apure crimes envolvendo o político, relacionados às falsidades espalhadas sobre o sistema financeiro brasileiro, especialmente sobre as operações fiscais via PIX e cartões de crédito.

De acordo com o documento, que detalha um cenário preocupante, Ferreira teria divulgado informações falsas e incompletas sobre supostos mecanismos de monitoramento e taxação que jamais existiram, promovendo medo e resistência social a políticas públicas legítimas de combate à lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. O efeito prático dessas falsas narrativas foi registrado por órgãos oficiais, que constataram uma migração significativa da população para transações em dinheiro vivo, dificultando a atuação do Estado contra esquemas criminosos. A representação destaca que tais condutas, ao enfraquecerem os controles digitais, favorecem diretamente a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em operações ilícitas complexas, inclusive no setor financeiro formalizado. O pedido inclui investigação do financiamento e impulsionamento dessas falsas informações, além da quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático do parlamentar.Além desse episódio, Nikolas Ferreira enfrenta outro processo criminal no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). Em julho de 2025, o TRE aceitou denúncia do Ministério Público contra o deputado e outros políticos do PL, por disseminação de notícias falsas durante as eleições municipais de 2024 em Belo Horizonte. Nikolas é acusado de liderar uma campanha organizada de desinformação contra o então prefeito e candidato à reeleição, Fuad Noman (PSD), acusando-o falsamente de expor crianças a conteúdo impróprio relacionado a um festival de quadrinhos. A ação ressalta que essas acusações foram elaboradas com uso descontextualizado de obras literárias e postagens em redes sociais. Caso condenado, o deputado poderá ser declarado inelegível, sofrendo consequências diretas para sua carreira política.
Essa acumulação de processos e investigações reforça a imagem controversa do deputado Nikolas Ferreira, que já vem sendo duramente criticado por sua constante produção de notícias falsas como instrumento de atuação política. Organizações civis e políticos adversários qualificam sua postura como responsável por desestabilizar o debate público e prejudicar a credibilidade de instituições básicas, como a Receita Federal, o Banco Central e o sistema eleitoral brasileiro. Em episódios recentes, o parlamentar chegou a propagar acusações levianas e sem provas contra professores em programas de rádio e podcast, ampliando o impacto negativo de suas ações sobre setores sociais e institucionais.
O cenário jurídico e político que envolve Nikolas Ferreira evidencia o risco real de que práticas reiteradas de desinformação possam não apenas prejudicar adversários políticos, mas também fragilizar mecanismos essenciais de controle e fiscalização do Estado brasileiro, beneficiando diretamente o crime organizado e minando a confiança da população nas instituições democráticas.
Nesse contexto, crescem os apelos para que as autoridades atuem com rigor na apuração das denúncias, reafirmando a importância do combate à desinformação e à impunidade no ambiente político nacional. Os processos que tramitam contra Nikolas Ferreira colocam em xeque não só sua trajetória política, mas também a responsabilidade que é exigida a quem exerce mandato público.