Pacheco inaugura palanque da oposição em Minas uma semana após migrar para base de Lula
Senador critica paralisação de obras de hospitais regionais em Minas e alfineta gestão Simões; governador rebate sem dados concretos e provoca adversário político

Luciano Meira
O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) usou a tribuna do Senado Federal nesta terça-feira (7), em sessão pelo Dia Mundial da Saúde, para criticar duramente a gestão do governo de Minas Gerais, destacando a “paralisia crônica nas obras dos hospitais regionais”. Menos de uma semana após se filiar ao PSB em 1º de abril, migrando para a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – que não esconde o apoio à sua pré-candidatura ao Palácio Tiradentes em 2026 –, Pacheco classificou as intervenções prometidas na campanha de Romeu Zema (Novo) em 2022 como “símbolos de ineficiência e desperdício de recursos”. “Essa lacuna estrutural sobrecarrega os grandes centros e força uma dependência de consórcios intermunicipais que nem sempre garantem a continuidade do cuidado”, disse o parlamentar, ao defender a regionalização da saúde em um estado de dimensões continentais como Minas.
O governador em exercício Mateus Simões (PSD), que assume até o fim do ano após a candidatura de Zema à Presidência da República, rebateu as críticas em agenda com a imprensa em Belo Horizonte. Sem apresentar dados concretos sobre os atrasos e obras que seguem paralisadas, sendo que algumas vem sendo executadas com dinheiro de acordos judiciais das reparações de Brumadinho.
A troca de farpas ocorre em meio aos resultados negativos da gestão Zema/Simões, marcada por crescimento da dívida pública estadual – que saltou de R$ 156 bilhões em 2018 para mais de R$ 200 bilhões em 2025, segundo dados fiscais oficiais – e adesão ao Programa de Recuperação Fiscal (PRF) somente após intervenção de Pacheco no Congresso, que flexibilizou exigências para Minas ingressar no regime. Governada com apoio de decisões judiciais liminares para contornar o teto de gastos, a administração enfrenta fragmentação da direita mineira, com o Novo enfraquecido pela saída de Zema e o PSD de Simões isolado. Apesar de não anunciar oficialmente a pré-candidatura, os acenos de Pacheco, como a tração de prioridades regionais e agendas com prefeitos, indicam que o movimento deve se concretizar em breve, aquecido pelo apoio explícito de Lula.
