Lugar de monstro é na jaula! Ex-padre é condenado a 24 anos acusado de estuprar mais de 60 crianças

Ex-padre Bernardino Batista usou sítio em Tiros para predar meninos de 3 a 11 anos por 41 anos; Igreja o abrigou até denúncias explodirem em 2021

O ex-padre Bernardino Batista dos Santos – Foto: Charles Torres
Luciano Meira

A Justiça de Minas Gerais condenou o ex-padre Bernardino Batista dos Santos, 78 anos, a 24 anos e nove meses de prisão em regime fechado por estupro de vulnerável contra uma menina de 4 anos, em crime ocorrido em 2016 num sítio que o monstro usava como covil para abusar de dezenas de crianças. A sentença, proferida em primeira instância nesta semana, impõe ainda indenização de R$ 30 mil por danos morais e reconhece a “gravidade dos atos, vulnerabilidade da vítima e impacto profundo das violações”, segundo advogada de mais de 60 denunciantes.

Predador serial sob batina por quatro décadas

Bernardino Batista, afastado pela Arquidiocese de Belo Horizonte apenas em 2021 após denúncias acumuladas, cometeu horrores desde 1975 em excursões para seu sítio em Tiros, Alto Paranaíba, onde meninos de 3 a 11 anos eram levados para “atividades religiosas” e acabavam vítimas de toques íntimos, esfregões e estupros reiterados. A condenação baseia-se num caso de 2016 – menina abusada em festa de casamento –, mas investigação policial aponta mais de 60 vítimas, com relatos de piscina, matagal e sacristia como cenários de depravação.O monstro, diretor de escola infantil em Contagem, batizava vítimas antes de violentá-las, explorando confiança familiar e eclesial para “oportunidades” rápidas de satisfação sexual sem armas, mas com conjunção carnal em vários casos. Mães pagavam pelas excursões sem desconfiar, enquanto o predador negava eventos no sítio vendido em 2021.

Prisão, tornozeleira e impunidade parcial

Preso em outubro de 2024, Bernardino ganhou liberdade em novembro pelo TJ-MG, alegando idade, comorbidades e prescrição parcial, usando tornozeleira até a condenação. A decisão recente, em sigilo parcial, choca pela demora: crimes prescritos pela lei antiga, mas alterada pós-2016 para estupro de vulnerável. A defesa de Leonardo Diniz promete recurso, mas advogada Ana Carolina Oliveira alerta: “Nenhuma posição religiosa escuda impunidade”.

Arquidiocese demorou a agir, vítimas romperam silêncio

A Igreja Católica mineira abrigou o monstro por 46 anos até 2021, quando dezenas de denúncias forçaram afastamento; audiência na ALMG em 2024 ouviu sobreviventes adultas relatando traumas de infância. A condenação, embora de um caso só, sinaliza talvez o fim da era de proteção clerical a pedófilos.

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