Países da UE aprovam acordo histórico com Mercosul após 25 anos de negociações

Maioria qualificada em Bruxelas dá sinal verde provisório ao pacto que cria maior zona de livre comércio do mundo, apesar de oposição de França e outros; assinatura prevista para próxima semana

Presidente Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen – Reprodução
Luciano Meira

Os países da União Europeia (UE) concederam aprovação provisória ao acordo comercial com o Mercosul nesta sexta-feira (9), em reunião de embaixadores em Bruxelas, abrindo caminho para a assinatura formal do tratado na próxima segunda-feira (12), no Paraguai, e pavimentando o terreno para a criação da maior área de livre comércio do planeta, com 700 milhões de habitantes. A decisão, tomada por maioria qualificada —pelo menos 15 nações representando 65% da população do bloco—, encerra mais de 25 anos de negociações entre os blocos e deve eliminar €4 bilhões em tarifas sobre exportações europeias, beneficiando setores como automóveis, laticínios e vinhos, segundo fontes diplomáticas e a Comissão Europeia.

Aprovação em meio a resistências

A votação ocorreu apesar da oposição expressa por França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria, preocupados com os impactos no setor agrícola europeu, e da abstenção da Bélgica, enquanto Alemanha, Itália e outros grandes membros defenderam o pacto como essencial para diversificar mercados em meio a tarifas americanas e dependência chinesa. Diplomatas europeus confirmaram que os embaixadores indicaram posições favoráveis durante a assembleia, com prazo até as 17h locais (13h em Brasília) para confirmação escrita dos votos, o que deve permitir à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinar o acordo em Assunção, sede da presidência rotativa do Mercosul.O chanceler alemão Friedrich Merz celebrou o marco como sinal de soberania comercial europeia, em nota oficial, enquanto a ministra da Agricultura francesa Annie Genevard prometeu lutar pela rejeição no Parlamento Europeu, onde a votação final, esperada nos próximos meses, promete ser apertada.

Conteúdo e benefícios do pacto

O acordo, o maior da UE em redução de tarifas, prevê eliminação gradual de impostos sobre bens industriais e agrícolas, padronização de regras em investimentos, compras governamentais e requisitos regulatórios, abrindo mercados para exportações do Mercosul —composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai— como carnes, etanol e produtos manufaturados. Para o Brasil, maior economia do bloco sul-americano, o pacto amplia acesso a um mercado de 450 milhões de consumidores europeus, com comércio bilateral avaliado em €111 bilhões em 2024, e deve impulsionar setores agropecuários e industriais, segundo análises preliminares.

Setores empresariais europeus apoiam a medida por abrir portas a componentes automotivos e bebidas, mas agricultores franceses e irlandeses alertam para concorrência desleal de produtos sul-americanos com padrões ambientais e sanitários menos rigorosos.

Etapas pendentes para entrada em vigor

Mesmo com a assinatura prevista para segunda-feira, o tratado depende de ratificação pelos parlamentos nacionais e pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor, processo que pode levar anos e enfrentar obstáculos, como ocorreu em dezembro de 2025, quando Itália condicionou apoio a contrapartidas para fazendeiros. A Comissão Europeia enfatiza que o acordo alinha o Mercosul a normas ambientais da UE, incluindo o Acordo de Paris, para mitigar críticas sobre desmatamento e sustentabilidade.

Para o Mercosul, o pacto representa chance de modernizar o bloco e atrair investimentos, enquanto a UE busca reduzir vulnerabilidades globais em minerais críticos e cadeias de suprimento, em um contexto de tensões comerciais crescentes. Analistas preveem que, se aprovado, o acordo reconfigure fluxos comerciais entre Atlânticos, beneficiando economias exportadoras como a brasileira, mas exigindo adaptações regulatórias em ambos os lados.

O Metropolitano

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