Papa Leão XIV alerta bispos sobre risco da ultradireita

Pontífice vê na ideologia de extrema-direita o maior desafio à Igreja na Espanha, que busca instrumentalizar católicos para ganhar votos

Papa Leão XIV – Foto: Vatican News
Luciano Meira

O papa Leão XIV expressou a bispos espanhóis sua maior preocupação com o avanço da ultradireita no país, durante encontro no Vaticano, segundo revelado esta semana pelo jornal El País. Ele alertou que esses grupos políticos tentam “instrumentalizar a Igreja” e conquistar o “voto católico”, especialmente com críticas à acolhida de imigrantes. A declaração, confirmada por fontes próximas, marca uma prioridade do pontífice em combater a polarização dentro e fora da Igreja.O alerta papal

Leão XIV, eleito há seis meses como sucessor de Francisco, recebeu a comissão executiva da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) para discutir temas como secularização, abusos sexuais no clero e uma possível visita à Espanha em junho de 2026, com paradas previstas em Madri, Barcelona e Ilhas Canárias. No entanto, o papa surpreendeu os prelados ao priorizar o risco da extrema-direita, rede ultraconservadora ativa em Espanha, EUA, México e Peru, que já atacou Prevost (nome de batismo do papa) durante o conclave. Grupos como esses distribuíram panfletos contra ele em Roma e financiam campanhas contra a Igreja progressista.

Ascensão do Vox e tensões com a Igreja

O partido Vox, principal força da ultradireita espanhola, tem crescido com discurso anti-imigração, anti-islamismo e defesa de valores tradicionais, acusando bispos de conivência com o governo socialista em troca de verbas ou impunidade em casos de pedofilia. Líderes como Santiago Abascal criticaram publicamente a CEE por apoiar a regularização de meio milhão de migrantes, enquanto associações como Falange Española criaram vídeos difamatórios contra o presidente dos bispos, Luis Argüello. Em resposta, bispos como César García Magán os chamaram de “herdeiros ideológicos do franquismo” e Joan Planellas afirmou que “xenófobo não pode ser cristão verdadeiro”.

Após o encontro vaticano, a CEE seguiu as orientações papais: assinou em 8 de janeiro acordo com o governo para indenizar vítimas de abusos e apoiou o plano de regularização migratória em 27 de janeiro, medidas atacadas pelo Vox. O papa, que conhece bem a Espanha por sua experiência como missionário, vê na demonização de imigrantes um dos principais perigos à pluralidade social e eclesial. A preocupação ecoa críticas globais à ultradireita, conectada a figuras como Steve Bannon, que planejou ataques contra Francisco.

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