Parlamento Europeu suspende acordo comercial com os EUA após ameaças de Trump

Decisão de congelar ratificação do tratado ocorre em resposta a novas tarifas e pressões de Washington sobre a Groenlândia; líderes do bloco falam em "coação econômica"

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Luciano Meira

O Parlamento Europeu suspendeu nesta semana a tramitação do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos. A medida, anunciada pelos principais blocos políticos do legislativo continental, interrompe o processo de ratificação do pacto assinado em julho de 2025, que visava reduzir barreiras alfandegárias entre as duas potências. A suspensão é uma reação direta ao anúncio do presidente norte-americano, Donald Trump, de impor novas tarifas de importação contra países europeus.A crise diplomática escalou após Trump ameaçar aplicar taxas de 10% — com previsão de subirem para 25% em junho — sobre produtos de nações como França, Alemanha e Dinamarca. O motivo da pressão americana é a oposição desses países aos planos de Washington de adquirir o território da Groenlândia, ilha autônoma pertencente ao Reino da Dinamarca. Lideranças europeias classificaram as exigências como inaceitáveis e uma violação da soberania territorial do continente.

Impacto e retaliação

Manfred Weber, presidente do Partido Popular Europeu (PPE), o maior grupo do Parlamento, afirmou que a aprovação do tratado tornou-se inviável sob “ameaças imperialistas”. Segundo Weber, a isenção de tarifas para produtos dos EUA prevista no acordo deve ser colocada em espera até que a Casa Branca cesse as hostilidades comerciais. Outras siglas, como a Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) e o grupo liberal Renew, apoiaram o congelamento.

Além de suspender o acordo, a União Europeia estuda ativar, pela primeira vez, o chamado “Instrumento Anticoerção”. O mecanismo permite ao bloco adotar contramedidas rápidas, como a imposição de tarifas extras sobre bens americanos e restrições a investimentos financeiros de empresas dos EUA no mercado europeu. Estima-se que o pacote de retaliação possa chegar a 93 bilhões de euros (cerca de R$ 580 bilhões).

Contexto comercial

O tratado agora suspenso havia sido firmado para pacificar a relação transatlântica, estabelecendo uma tarifa base de 15% para a maioria dos bens europeus nos EUA em troca de imposto zero para produtos industriais e agrícolas americanos na Europa. No entanto, parlamentares europeus já criticavam o texto por considerá-lo desequilibrado em favor de Washington.

Enquanto as relações com os Estados Unidos se deterioram, a União Europeia reforçou sua estratégia de diversificação comercial ao assinar, no último sábado (17), o histórico acordo de livre comércio com o Mercosul. Para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o pacto com os países sul-americanos envia uma mensagem de compromisso com o comércio multilateral frente ao protecionismo crescente.

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