PEC alternativa ao fim da escala 6×1 nasce no gabinete de Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro
Texto elaborado no gabinete do senador do PL e assinado por Flávio Bolsonaro busca alterar proposta aprovada na Câmara e abre nova disputa sobre redução da jornada de trabalho

Luciano Meira
Uma proposta alternativa à PEC que extingue a jornada de trabalho 6×1 e foi aprovada na Câmara dos Deputados abriu uma nova frente de disputa política no Senado. O texto apresentado por senadores da oposição foi elaborado no gabinete do senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição na Casa e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, e recebeu a assinatura do próprio Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de outros parlamentares do bloco oposicionista.
A iniciativa surge como resposta ao avanço da proposta aprovada pelos deputados, que prevê mudanças na jornada semanal de trabalho e no regime de descanso dos trabalhadores. Em vez de aderir ao texto vindo da Câmara, o grupo de senadores protocolou uma emenda constitucional alternativa, com regras distintas para a reorganização da carga horária e maior flexibilização das relações de trabalho, segundo informações divulgadas após a apresentação da proposta.
A articulação ocorreu no gabinete de Rogério Marinho, senador do PL do Rio Grande do Norte e um dos principais quadros da oposição no Congresso. Marinho também atua como coordenador da campanha política de Flávio Bolsonaro e tem se posicionado publicamente contra o modelo de transição previsto na PEC aprovada pela Câmara, classificando a proposta como prejudicial à economia e ao mercado de trabalho.
Flávio Bolsonaro, que assinou a emenda apresentada no Senado, também tem criticado publicamente a proposta aprovada pelos deputados. O senador do PL afirma que mudanças imediatas na jornada podem provocar aumento de custos e desemprego, defendendo alternativas ligadas à remuneração por hora e maior flexibilização trabalhista.
A apresentação da PEC alternativa tende a dificultar a tramitação do texto vindo da Câmara ao criar uma proposta concorrente dentro do Senado. Na prática, a existência de versões distintas amplia o espaço para negociação política e pode retardar ou alterar substancialmente o conteúdo da reforma da jornada de trabalho.
A proposta protocolada pela oposição reúne assinaturas de senadores de partidos como PL, PP, Republicanos, Podemos e outras legendas do campo conservador e de centro-direita. Entre os signatários estão:
* Rogério Marinho (PL-RN)
* Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
* Carlos Portinho (PL-RJ)
* Romário (PL-RJ)
* Magno Malta (PL-ES)
* Wellington Fagundes (PL-MT)
* Efraim Filho (PL-PB)
* Sergio Moro (PL-PR)
* Marcos Rogério (PL-RO)
* Jaime Bagattoli (PL-RO)
* Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)
* Eduardo Gomes (PL-TO)
* Izalci Lucas (PL-DF)
* Wilder Morais (PL-GO)
* Hermes Klann (PL-SC)
* Tereza Cristina (PP-MS)
* Ciro Nogueira (PP-PI)
* Dr. Hiran (PP-RR)
* Esperidião Amin (PP-SC)
* Laércio Oliveira (PP-SE)
* Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
* Damares Alves (Republicanos-DF)
* Cleitinho (Republicanos-MG)
* Zequinha Marinho (Podemos-PA)
* Styvenson Valentim (Podemos-RN)
* Giordano (Podemos-SP)
* Jayme Campos (União Brasil-MT)
* Professora Dorinha Seabra (União Brasil-TO)
* Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)
* Plínio Valério (PSDB-AM)
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força após pressão de movimentos trabalhistas e de parlamentares favoráveis à redução da jornada semanal sem diminuição salarial. No Senado, porém, a ofensiva da oposição por meio da emenda elaborada no gabinete de Rogério Marinho e assinada por Flávio Bolsonaro indica que o tema deverá enfrentar nova rodada de embates antes de qualquer definição definitiva.
