Pedágio começa a ser cobrado na “rodovia da morte”, a BR-381

Nova etapa para a BR-381: pedágio entra em vigor nos primeiros trechos privatizados de uma das rodovias mais perigosas do país

Divulgação Nova 381
Luciano Meira

O início da cobrança de pedágio nos trechos de Caeté e João Monlevade, na BR-381, marca uma nova fase na gestão e operação da rodovia conhecida como “rodovia da morte”. A medida, autorizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), entra em vigor a partir de 26 de setembro e faz parte do contrato de concessão firmado com a empresa Nova 381 para modernização e ampliação do trecho, historicamente marcado por altos índices de acidentes fatais.

O histórico da BR-381: de rodovia da morte a privatização

A BR-381, especialmente no trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares, há décadas detém a triste fama de “rodovia da morte” devido ao grande número de acidentes, muitos fatais, motivados por traçado sinuoso, trechos montanhosos e falta de duplicação. Antes da concessão à iniciativa privada, a estrada operava com pouca infraestrutura, o que contribuiu para que se acumulassem inúmeros pontos críticos e demandas de melhorias urgentes.

O apelido de “rodovia da morte” fez do tema da privatização pauta recorrente entre autoridades e a população mineira. Foram anos de tentativas frustradas, com leilões sem interessados e obras paralisadas. Apenas em 2024 um grupo conseguiu vencer o leilão, firmando contrato de concessão de 30 anos, com estimativa de R$ 10 bilhões em investimentos para duplicação de mais de 100 km e eliminação de dezenas de pontos críticos.Como será a cobrança nos novos pedágios

A cobrança de pedágio está autorizada nas praças de Caeté (quilômetro 411,850) e João Monlevade (quilômetro 345,270). O modelo adotado é o “free flow”, sistema eletrônico de livre passagem — não há cancelas, e a cobrança ocorre via leitura eletrônica do veículo em pórticos sobre a pista. Os valores iniciais para automóveis de passeio são de R$ 15,50 em Caeté e R$ 12,90 em João Monlevade. Caminhões chegam a pagar R$ 124 e R$ 103,20, respectivamente, dependendo do número de eixos. Motocicletas, ambulâncias, veículos oficiais e diplomáticos estão isentos.

Confira a tabela com os preços a serem cobrados:

CategoriaTipos de VeículosNúmero de EixosRodagemMultiplicador da TarifaValores a serem Praticados (R$)
P1P2
1Automóvel, caminhonete e furgão2Simples115,5012,90
2Caminhão leve, ônibus, caminhão-trator e furgão2Dupla231,0025,80
3Automóvel e caminhonete com semirreboque3Simples1,523,2519,35
4Caminhão, caminhão-trator, caminhão-trator com semirreboque e ônibus3Dupla346,5038,70
5Automóvel e caminhonete com reboque4Simples231,0025,80
6Caminhão com reboque, caminhão-trator com semi-reboque4Dupla462,0051,60
7Caminhão com reboque, caminhão-trator com semi-reboque5Dupla577,5064,50
8Caminhão com reboque, caminhão-trator com semi-reboque6Dupla693,0077,40
9Caminhão com reboque, caminhão-trator com semi-reboque7Dupla7108,5090,30
10Caminhão com reboque, caminhão-trator com semi-reboque8Dupla8124,00103,20

Quem utiliza sistema de pagamento (TAG) receberá descontos progressivos conforme a frequência de uso, o que pode beneficiar moradores da região e usuários frequentes. O novo modelo busca garantir maior fluidez e modernidade no controle de fluxo, além de transparência na cobrança.

Investimentos, promessas e expectativas

Há grande expectativa para que a concessão traga respostas efetivas a um problema histórico em Minas Gerais. O contrato prevê, entre as intervenções, duplicação de rodovia, criação de faixas adicionais, correção de pontos perigosos, instalação de passarelas, áreas de descanso para caminhoneiros e postos de serviço de emergência médica e mecânica. O governo federal e a concessionária Nova 381 garantem que essas melhorias serão financiadas com os recursos arrecadados pelo pedágio.

O objetivo é deixar para trás o estigma da estrada como “rodovia da morte” e transformá-la em um corredor moderno, seguro e eficiente para motoristas e para o escoamento da produção industrial da região. Para autoridades, o pedágio marca o início de uma nova era para a infraestrutura rodoviária mineira.

Apesar da autorização, motoristas que trafegam pela BR-381 expressam preocupação com o custo elevado e a necessidade de que as obras realmente avancem. O histórico de descaso e a gravidade dos acidentes passados impõem à concessionária o desafio de, de fato, promover as melhorias prometidas e resgatar a confiança da sociedade na capacidade do Estado e do setor privado em transformar a realidade da rodovia.

O Metropolitano

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