PL de Minas vive disputa interna por vaga ao Senado em 2026
Domingos Sávio é favorito, mas Caporezzo, Maurício do Vôlei, Eros Biondini e Vile dos Santos pressionam por espaço na chapa bolsonarista

Luciano Meira
A disputa pela indicação do Partido Liberal (PL) para o Senado em Minas Gerais em 2026 acirrou a divisão interna da sigla e expôs a multiplicação de nomes ligados ao bolsonarismo no estado. Além do deputado federal Domingos Sávio, presidente estadual do partido e hoje considerado o nome mais forte, estão no páreo o deputado estadual Cristiano Caporezzo, os deputados federais Maurício do Vôlei e Eros Biondini, além do vereador de Belo Horizonte Vile dos Santos, todos à espera de uma definição que passa diretamente pela influência do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Disputa pela indicação no PL
O fortalecimento da bancada do PL no Senado é tratado como prioridade nacional pela cúpula partidária, e a escolha em Minas deve contar com apoio integral das candidaturas proporcionais da legenda em 2026. No estado, a disputa interna ocorre em torno de quem ocupará ao menos uma das duas vagas em jogo, em um cenário em que o próprio partido admite que pode lançar apenas um nome ou compor chapa com outras siglas da direita.
Domingos Sávio, deputado federal e presidente estadual do PL, é hoje apontado como o favorito, após ter sido definido como candidato ao Senado pela sigla com a “benção” de Bolsonaro, respaldada por pesquisas internas que o colocam à frente de outros postulantes do próprio partido. Mesmo assim, dirigentes e pré-candidatos reconhecem que o quadro segue “nebuloso” e sujeito a rearranjos, em especial diante de negociações para alianças ao governo de Minas e com outras legendas da direita, como o Republicanos.
O peso da “benção” de Bolsonaro
A palavra de Jair Bolsonaro é tratada como decisiva pelos interessados na vaga. Em 2025, Domingos Sávio foi apontado pela direção do PL como o escolhido para disputar o Senado em Minas após pesquisa interna e consulta ao ex-presidente, que o avaliou como o melhor nome entre seis possíveis candidatos testados. O movimento consolidou o deputado como referência do partido no estado e ampliou sua exposição junto à base bolsonarista, reforçada por sua proximidade com Bolsonaro, inclusive em visitas autorizadas enquanto o ex-mandatário cumpre prisão domiciliar.
Ao mesmo tempo, outros pré-candidatos também buscaram chancela direta. Cristiano Caporezzo, deputado estadual e quadro alinhado à direita mais ideológica, visitou Bolsonaro em Brasília e afirmou ter recebido apoio para disputar uma vaga no Senado, embora diga que respeitará qualquer decisão do ex-presidente. Maurício do Vôlei, deputado federal, igualmente declarou que Bolsonaro o considera “bom nome” para a disputa, observando que o ex-presidente ainda não “bateu o martelo” e que há outros deputados federais e estaduais na fila pela candidatura.
Perfis dos principais postulantes
Domingos Sávio, com mandato de deputado federal e comando do diretório estadual, construiu imagem de articulador com bom trânsito entre prefeitos e lideranças regionais, o que pesa a favor de seu nome na leitura da direção nacional do PL. Ele aparece entre os mais citados em pesquisas de intenção de voto para o Senado em Minas, mesmo sem ter formalizado pré-campanha, o que reforça a percepção interna de viabilidade eleitoral.
Cristiano Caporezzo, advogado, policial militar e estreante na Assembleia Legislativa em 2023, se apresenta como representante da ala mais radicalmente conservadora do bolsonarismo em Minas, enfatizando valores como “Deus, Pátria, Família e Liberdade” e afirmando que “ninguém está mais à direita” do que ele no estado. Eros Biondini, deputado federal e ligado à pauta religiosa, já declarou publicamente ser pré-candidato ao Senado e que colocou seu nome à disposição de Bolsonaro para “fortalecer o Senado da República” em uma eventual nova configuração da direita nacional em 2026.
Maurício do Vôlei, ex-atleta olímpico e deputado federal, usa sua visibilidade esportiva como ativo político e integra o grupo de nomes cotados no PL mineiro, reforçando o discurso de lealdade a Bolsonaro e à agenda conservadora. O vereador belo-horizontino Vile dos Santos, por sua vez, aparece como opção do partido que traz a experiência na política municipal e o diálogo com a base eleitoral da capital, compondo o grupo de postulantes que tenta se firmar em um ambiente de forte concorrência interna.
Cenário eleitoral em aberto em Minas
A indecisão sobre o desenho da chapa para o Senado também está ligada ao quadro para o governo de Minas, que pode envolver aliança entre o PL e o Republicanos em torno do senador Cleitinho, cotado para disputar o Palácio Tiradentes. Em um dos cenários discutidos, o PL lançaria Domingos Sávio ao Senado em composição com outro nome da direita, como o deputado federal Euclydes Pettersen, presidente do Republicanos em Minas, em uma chapa única de centro-direita no estado.
Nos bastidores, dirigentes admitem que o excesso de pré-candidatos ajudou a transformar a corrida interna do PL em crise, uma vez que a exposição de múltiplos nomes ligados ao bolsonarismo pressiona a direção por soluções que contemplem diferentes grupos e regiões. A expectativa é que a decisão final sobre a candidatura ao Senado passe por nova rodada de pesquisas e, sobretudo, por uma definição de Bolsonaro, que permanece como o principal fiador político da direita mineira diante de um cenário que, nas palavras do próprio Domingos Sávio, ainda é considerado “nebuloso”.
