Polícia Civil prende maior traficante de pasta base de cocaína de Minas Gerais
Sonny Clay Dutra, foragido há sete anos e investigado desde 2013, é capturado em Divinópolis após mudar aparência com cirurgia plástica para despistar autoridades

Luciano Meira
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu na noite de sexta-feira (9), em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, Sonny Clay Dutra, de 43 anos, considerado o maior traficante de pasta base de cocaína do estado e um dos principais do Brasil. Natural de Ouro Preto, na região Central, o criminoso foi localizado em uma boate após meses de investigação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), com apoio da inteligência policial.
Quem é Sonny Clay e sua trajetória no crime organizado
Sonny Clay Dutra responde por condenação a 14 anos de prisão por tráfico de drogas e organização criminosa, com mandado de prisão em aberto, e figurava na lista de foragidos mais procurados do Ministério da Justiça e Segurança Pública desde 2019, quando teve uma prisão preventiva revogada após captura em sua cidade natal. Investigado pela PCMG desde 2013, ele atuava em alto escalão do narcotráfico, coordenando a logística de entrada de grandes volumes de cocaína de países fronteiriços como Bolívia e Paraguai, sem vínculo fixo a facções, mas com contatos amplos no crime organizado.
Sua estrutura incluía empresas de fachada em setores como alimentação e postos de combustíveis em estados como Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, usadas para lavagem de dinheiro oriundo do tráfico. Já preso diversas vezes anteriormente, Sonny contava com vasta rede de proteção financeira, o que permitia mudanças frequentes de endereço e residência, como em Itaúna, próxima a Divinópolis.
Cirurgia plástica e estratégia de fuga
Um dos elementos que mais chamou atenção na operação foi a mudança radical na aparência de Sonny Clay, obtida por meio de intervenções estéticas e cirurgias plásticas, estratégia adotada para dificultar sua identificação pelas autoridades. Ele se apresentava como empresário bem-sucedido em diferentes ramos, o que mascarava sua identidade real durante os sete anos de foragido.
No momento da prisão, o traficante portava arma de fogo ilegalmente, mas não resistiu à abordagem policial, sendo encaminhado ao Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, em Belo Horizonte.
Operação policial e reações oficiais
A ação resultou de investigação prolongada, com trabalho de inteligência e campo da Draco e da Superintendência de Informações e Inteligência Policial (SIIP), considerada uma das prisões mais relevantes dos últimos anos pela delegada-geral Letícia Gamboge. “Aqui em Minas Gerais, não tem impunidade. Não vamos tolerar criminosos e prenderemos quem quer que seja”, declarou a chefe da PCMG. Delegados também anunciaram uma segunda fase das investigações, focada em desmantelar ramificações da organização, incluindo lavagem de capitais e conexões logísticas.
