Polícia investiga três técnicos de enfermagem por mortes em hospital do DF
Marcos Vinícius Barbosa de Araújo, Marcela Camilly Alves da Silva e Amanda Rodrigues de Sousa são suspeitos de injetar substâncias letais em pacientes idosos

Luciano Meira
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a atuação de três técnicos de enfermagem suspeitos de envolvimento em mortes ocorridas no Hospital Anchieta em Taguatinga. Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Marcela Camilly Alves da Silva e Amanda Rodrigues de Sousa, com idades entre 22 e 28 anos, são alvo de inquérito que apura a prática de homicídio doloso qualificado. De acordo com as investigações preliminares, o grupo teria injetado desinfetante hospitalar e cloreto de potássio na corrente sanguínea de pacientes idosos internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). As vítimas identificadas até o momento são: Marcos Raymundo Fernandes Moreira, Miranilde Pereira da Silva e João Clemente Pereira.
As mortes teriam ocorrido entre o final de 2025 e o início de 2026. A direção da unidade hospitalar notificou as autoridades após identificar óbitos com quadros clínicos atípicos e detectar, por meio de câmeras de segurança e auditoria interna, a manipulação indevida de acessos venosos pelos profissionais. A Justiça decretou a prisão preventiva dos três investigados para garantir a ordem pública e assegurar a instrução criminal.

Indícios e provas periciais
O inquérito policial indica que os técnicos acessavam leitos de pacientes que não estavam sob sua escala de cuidados diretos. A perícia técnica em corpos de vítimas com idades entre 70 e 85 anos apontou que os colapsos fatais ocorreram logo após a administração de substâncias não prescritas. Mensagens de texto recuperadas dos aparelhos celulares dos suspeitos sugerem que os crimes faziam parte de um plano para desestabilizar a gestão do hospital e criar uma crise interna como retaliação a supostas sobrecargas de trabalho.
Medidas administrativas e assistência
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) instaurou processos ético-disciplinares para apurar as condutas e aplicar as sanções cabíveis, que podem incluir a cassação do exercício profissional. O hospital onde os fatos ocorreram informou, por meio de nota, que colabora com as investigações e revisou seus protocolos de monitoramento e controle de medicamentos.
Famílias de pacientes que faleceram na unidade no período investigado aguardam os laudos complementares e não descartam ações de responsabilização civil. A polícia continua a colher depoimentos de outros profissionais de saúde para verificar se houve omissão ou conivência no acesso às substâncias utilizadas nos crimes.
