Prefeito Damião anuncia tarifa zero nos ônibus aos domingos em BH após rejeição de projeto mais amplo na Câmara
Medida parcial entra em vigor no dia 14, beneficiando cerca de 190 mil usuários sem cobrança de passagem; iniciativa ocorre dois meses depois de vereadores arquivarem proposta da oposição com estudos técnicos de viabilidade, levantando suspeitas de manobra política para capitalizar popularidade da causa

Luciano Meira
O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), anunciou tarifa zero nos ônibus convencionais e suplementares aos domingos e feriados, com início previsto para 14 de dezembro, integrando o programa “Catraca Livre” nas comemorações do aniversário de 128 anos da capital. Usuários passarão o cartão BHBus na catraca sem desconto ou terão acesso liberado pelo motorista, visando facilitar visitas familiares, lazer no Parque Municipal e Feira Hippie. A medida beneficia cerca de 190 mil passageiros dominicais, mas detalhes sobre financiamento e impacto no sistema, que recebe subsídio municipal de R$ 800 milhões anuais, ainda não foram divulgados.
Rejeição do projeto de Iza Lourença
Em outubro, a Câmara Municipal rejeitou por 30 votos contra e 10 favoráveis o PL 60/2025, do “Busão 0800”, de autoria da vereadora Iza Lourença (PSOL), que previa gratuidade 24 horas em todas as linhas, sem restrição de horário ou público. A proposta, assinada inicialmente por 22 vereadores de 13 partidos, precisava de 28 votos no primeiro turno, mas perdeu apoio da base aliada de Damião, que criticou o modelo de financiamento por suposto ônus às empresas. A sessão gerou protestos na galeria, com manifestantes chamando vereadores de “covardes” e prometendo cobrança nas ruas.
Estudos comprovavam viabilidade econômica
O projeto da vereadora contava com estudo da UFMG, que apontava custo financiado por Taxa de Transporte Público (TTP) sobre empresas com mais de dez funcionários, substituindo o vale-transporte atual a R$ 185 por trabalhador, com isenção para pequenas. O impacto seria inferior a 1% da folha salarial municipal (0,91% líquido após dedução do vale-transporte gasto hoje), gerando dinamismo econômico, mais empregos e redução de emissões, conforme análise da FGV em 52 municípios brasileiros com tarifa zero. Críticos do setor produtivo alegaram riscos, mas o texto avançara em comissões como Legislação e Mobilidade antes da rejeição.
Suspeita de capitalização política
O anúncio de Damião, dois meses após a derrota do PL oposicionista, incomoda até vereadores de sua base — preteridos nos vídeos em redes sociais que anunciaram o programa — que veem oportunismo na adoção parcial de uma bandeira popular sem os benefícios totais previstos no projeto rejeitado. Enquanto a medida municipal limita gratuidade a fins de semana, o texto de Iza Lourença poderia transformar BH na primeira capital com transporte gratuito integral, redistribuindo renda e ampliando acesso a saúde e educação para populações vulneráveis. Especialistas destacam que benefícios concretos aos cidadãos seriam maiores com a proposta técnica, questionando se a rejeição priorizou interesses eleitorais à frente de soluções viáveis.
