Presidente da Câmara encaminha lista de 14 deputados por quebra de decoro após motim

Hugo Motta envia ao Conselho de Ética nomes de parlamentares que interromperam trabalho da Casa em protesto contra prisão de Bolsonaro

Deputados amotinados impedem o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), ao fundo, de ocupar seu lugar na mesa – Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu encaminhar ao Conselho de Ética representações disciplinares contra 14 deputados de oposição acusados de quebra de decoro parlamentar, após um motim que paralisou o plenário da Casa nos dias 5 e 6 de agosto. O episódio, marcado por obstrução dos trabalhos e ocupação da Mesa Diretora, ocorreu durante o protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. O encaminhamento propõe possível suspensão dos mandatos, podendo chegar a seis meses de afastamento, após análise do Conselho de Ética.

O que aconteceu

Durante dois dias, deputados majoritariamente do PL, além de membros do PP e do Novo, ocuparam o plenário da Câmara e bloquearam o funcionamento das atividades legislativas. Em ato de resistência à ordem de prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, os parlamentares passaram 30 horas no local, impedindo votações e o exercício das funções parlamentares. A ação foi tratada como grave quebra de decoro, já que perturbar a ordem das sessões ou impedir a atuação da Casa estão previstos como infrações disciplinares no Código de Ética Parlamentar.O contexto legislativo vinha tenso desde a decisão judicial imposta a Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado. Os oposicionistas exigiam a votação de um projeto de anistia geral aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A ocupação da Mesa Diretora e o impedimento físico do presidente da Câmara de acessar a cadeira da presidência elevaram os ânimos e motivaram o encaminhamento de denúncias por quebra de decoro.

Segundo nota divulgada pela Secretaria-Geral da Câmara e documentos oficiais, as representações enviadas por Hugo Motta recaem sobre 14 parlamentares, sendo 12 do PL, um do PP e um do Novo. A relação dos deputados é a seguinte:

• Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL

• Zucco (PL-RS), líder da minoria

• Carlos Jordy (PL-RJ)

• Nikolas Ferreira (PL-MG)

• Caroline de Toni (PL-SC)

• Marco Feliciano (PL-SP)

• Domingos Sávio (PL-MG)

• Zé Trovão (PL-SC)

• Bia Kicis (PL-DF)

• Paulo Bilynskyj (PL-SP)

• Marcos Pollon (PL-MS)

• Júlia Zanatta (PL-SC)

• Marcel Van Hattem (Novo-RS), líder do Novo

• Allan Garcês (PP-MA)

A lista inicial mencionava uma representação contra a deputada Camila Jara (PT-MS) por suposta agressão a Nikolas Ferreira. No entanto, seu nome não constou no documento final encaminhado pela Mesa Diretora. O nome da deputada foi enviado ao Conselho de Ética por representação em separado, feita pelo PL.

E agora?

O corregedor parlamentar, Diego Coronel (PSD-BA), tem prazo de 48h para emitir parecer recomendando arquivamento ou envio das representações ao Conselho de Ética. Caso o encaminhamento seja aprovado pela Mesa Diretora, o Conselho de Ética pode impor punições que variam de advertência à suspensão ou até cassação do mandato dos parlamentares envolvidos. O processo é considerado grave na Câmara dos Deputados e reflete o recrudescimento das tensões políticas desde os episódios de janeiro de 2023.

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