Presidente do Sindicato dos Enfermeiros alerta para adoecimento da categoria
Enfermeiros enfrentam sobrecarga, alta incidência de afastamentos e cobra melhores condições de trabalho em Minas

Luciano Meira
O presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Minas Gerais (SEEMG), Anderson Rodrigues, destacou o preocupante cenário de adoecimento entre os profissionais de enfermagem durante o 11º Seminário de Saúde e Segurança do Trabalho, realizado em Contagem, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem. O evento, ocorrido em 28 de agosto, reuniu cerca de 150 trabalhadores e dirigentes sindicais para debater desafios e mudanças nas normas de segurança laboral, com foco especial na saúde dos trabalhadores da área da saúde.
Trabalho exigente e doenças ocupacionais em alta
Durante sua participação, Anderson Rodrigues enfatizou a sobrecarga enfrentada pela categoria, que opera sob pressão por produtividade e, frequentemente, com equipes reduzidas frente a um crescente número de pacientes. Essa lógica de “redução de custos” nas instituições hospitalares reflete diretamente no aumento dos casos de adoecimento entre os profissionais de enfermagem, colocando em risco não só trabalhadores, mas também pacientes, segundo alerta do dirigente.
Dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) apontam que, em maio de 2025, Minas Gerais contava com mais de 247 mil profissionais na área, inseridos em um total de mais de 3,1 milhões em todo o Brasil. Entre 2020 e 2024, os principais motivos de afastamento da enfermagem foram transtornos mentais, estresse ocupacional, lombalgias e doenças musculoesqueléticas, sendo depressão, ansiedade e síndrome de burnout as causas de afastamentos prolongados.
Mudanças na legislação e necessidade de união
O seminário também discutiu as reformas nas Normas Regulamentadoras (NRs), como a NR-1, que passará a incluir riscos psicossociais – tais como estresse, assédio e burnout – no Programa de Gerenciamento de Riscos a partir de 2026. Para Rodrigues, a atuação das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPA) torna-se essencial diante do atual quadro e das exigências crescentes de segurança.
Anderson Rodrigues aproveitou sua fala para ressaltar que só com união entre categorias de trabalhadores e ação sindical efetiva será possível transformar o ambiente de trabalho e garantir mais saúde e segurança. O SEEMG parabenizou a organização do seminário e reiterou a importância do debate contínuo sobre o cuidado com quem cuida.