Queijo Minas Artesanal é declarado Patrimônio da Humanidade

Reconhecimento da Unesco valoriza tradição secular e fortalece identidade mineira com alcance global

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Luciano Meira

O Queijo Minas Artesanal acaba de ser incluído na Lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, durante a 19ª sessão ordinária do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, realizada em Assunção, Paraguai. Trata-se do primeiro alimento brasileiro a receber esse título internacionalmente reconhecido.

Processo e significado histórico

A candidatura para o reconhecimento partiu do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em março de 2023, com apoio da Associação Mineira de Produtores de Queijo Artesanal. Os motivos para a distinção vão além do sabor e alcance comercial: o modo de produção do Queijo Minas Artesanal envolve práticas transmitidas oralmente há mais de três séculos por pequenos produtores rurais de Minas Gerais, refletindo saberes tradicionais e valores comunitários. O pedido foi aprovado por unanimidade pelo comitê da Unesco, após avaliação de dezenas de candidaturas ao redor do mundo.Produção, cultura e identidade

A produção do Queijo Minas Artesanal abrange 106 municípios de Minas e segue técnicas que utilizam o leite cru, muitas vezes empregando o “pingo” – bactéria natural específica de cada região, responsável pelo sabor único do produto. A fabricação preserva a tradição familiar e comunitária, contando com a participação ativa de homens e mulheres, e priorizando práticas sustentáveis e bem-estar animal. O conhecimento é transmitido oralmente entre gerações e está associado à hospitalidade dos mineiros, sendo consumido em ocasiões especiais e reuniões tradicionais da cultura regional.

Valor simbólico e econômico

Desde 2008, os modos de fazer o Queijo Minas Artesanal já eram reconhecidos como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan. O título internacional fortalece a economia das famílias produtoras e valoriza ainda mais o queijo como símbolo do estado de Minas Gerais e da cultura alimentar nacional. O governo estadual e entidades de fomento celebram o reconhecimento, que deve abrir portas para novos mercados e consolidar a identidade mineira no cenário global.

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