Quem tem… tem medo: Zema amplia segurança a ex-governadores e estende proteção no pós-mandato

Decreto assinado às vésperas da renúncia beneficia o próprio governador e filhos, em movimento que expõe contradição de quem priorizou memes a gestão e agora teme derrota eleitoral

Romeu Zema (Novo) – Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

O governador Romeu Zema (Novo) sancionou em 31 de dezembro de 2025 o decreto 49.154, ampliando de um para dois anos o prazo de segurança policial custeada pelo Estado a ex-governadores e vices, com possibilidade de prorrogação e inclusão de familiares sob alegação de interesse público. A medida, publicada a três meses de sua renúncia para concorrer à Presidência em 2026, beneficia diretamente o próprio Zema e seus dois filhos, em momento de aparente preocupação com retaliações políticas. Críticos veem oportunismo: após oito anos produzindo memes irônicos contra adversários, o mineiro agora reforça o esquema de proteção no apagar das luzes do mandato.Contradições de um mandato “memeiro”

Reeleito em 2022 com promessas de eficiência liberal, Zema dedicou boa parte do segundo governo a postagens virais e provocações virtuais, acumulando memes que ridicularizavam Lula e o PT enquanto Minas enfrentava déficits em segurança e saúde. A súbita ampliação da escolta pessoal, com equipes de três PMs por turno (um major e dois praças), contrasta com críticas anteriores à gastança pública e surge às vésperas de uma campanha presidencial incerta, onde pesquisas indicam desgaste pela polarização excessiva. O decreto estende a proteção não só à integridade física, mas à “moral e institucional”, conceito vago que pode justificar gastos indefinidos em nome da “estabilidade política”.

Benefícios aos sucessores e custo aos mineiros

Além de Zema, o decreto pavimenta privilégios a antecessores como Aécio Neves e Fernando Pimentel, além de vices, com prorrogações limitadas ao mandato seguinte – mecanismo que, na prática, eterniza o luxo às custas do erário mineiro, sem estimativa de impacto orçamentário divulgada. Em Minas, onde a segurança pública virou entrave com déficits de policiais e alta criminalidade, o gesto soa como farsa: o governador que posou de gestor austero agora garante carro oficial blindado e major particular para si e herdeiros, prevendo talvez as consequências de um legado de bravatas nas redes. A medida pode ainda complicar aliados da direita em 2026, colando em Zema a imagem de quem, obcecado por autopreservação, sabotou candidaturas mais viáveis ao priorizar sua pré-campanha nacional.

Previsão de derrota e pecha política

Com pesquisas apontando derrota iminente na corrida presidencial – onde o antipetismo já perdeu fôlego –, Zema parece antever um pós-mandato turbulento, protegendo-se de eventuais reações a políticas que deixaram o Estado com rombos fiscais e serviços precários. O decreto, reorganizando o Gabinete Militar, institucionaliza o que analistas chamam de “clube dos intocáveis”, ampliando o fosso entre elites políticas e contribuintes mineiros já sobrecarregados por impostos. Resta saber se a blindagem policial blindará também a imagem do ex-governador junto ao eleitorado que cansou dos memes e clama por resultados concretos.

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