Reflexo Cia de Teatro estreia “Constança e a Descoberta do Invisível” em Itaguara
Espetáculo ao ar livre marca nova fase do grupo e faz crítica à ausência de espaços culturais no município

Luciano Meira
A Reflexo Cia de Teatro, grupo sediado em Itaguara/MG, comemorou mais de dez anos de trajetória ao estrear, em 29 de agosto, o espetáculo “Constança e a Descoberta do Invisível”, escrito e dirigido por Rodrigo Marques. A montagem, apresentada em praça pública de forma gratuita, narra a saga de Constança, uma menina que decide se rebelar contra o autoritarismo do pai e a passividade da mãe, partindo pelo mundo em busca de respostas para aquilo que seus olhos não enxergam. A peça, impregnada de metáforas, convida o público a uma viagem sensorial por lugares e personagens fantásticos, misturando linguagens e simbolismos.
Incentivo Cultural
A produção é resultado de esforço coletivo e foi viabilizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, em edital da Secretaria Municipal de Cultura de Itaguara, apontando para a importância dos investimentos públicos na área cultural. A lei, sancionada em 2022, destina verbas para projetos artísticos em todo o país, com especial destaque para municípios do interior. Em Minas Gerais, a adesão à Lei Paulo Gustavo impulsiona uma descentralização do acesso aos recursos, abrindo oportunidades para grupos locais ampliarem o alcance de suas iniciativas.
Detalhes da montagem e equipe
A montagem chama atenção pelo cuidado estético: figurinos assinados por Dircileia de Moura, cenografia de Euler Rezende, objetos de cena por Viviane Parreiras, além da maquiagem feita pelos próprios atores, que, a cada ato, revela novas nuances dos personagens. O elenco mescla nomes veteranos, como Alexandre, Jéssica e Paula, e novidades, com Gustavo Ângelo e Náty Lisboa se somando ao grupo. A trilha sonora, executada ao vivo por Victor Lacerda e pelo coro do elenco, e a manipulação de objetos no Teatro de Sombras por Davi Amaral, valorizam a multiplicidade artística da montagem.
Reflexões sobre políticas culturais e ausência de equipamentos
A estreia de “Constança” reacende o debate sobre a falta de espaços culturais em Itaguara. Artistas e produtores da cidade lamentam que, após quase 35 anos de mobilização, o município ainda careça de um teatro ou centro multiuso, capazes de abrigar atividades artísticas, formaturas e eventos. Iniciativas como a da vizinha Crucilândia, que recentemente inaugurou um espaço teatral com programação contínua, mostram que políticas públicas e planejamento podem gerar estruturas dignas e fomentar o desenvolvimento intelectual e social da população. A cultura, além de promover saúde e turismo, é motor para a geração de empregos e diversificação da economia local.
Fomento à sensibilidade
O sucesso do mais novo espetáculo da Reflexo Cia de Teatro serve como alerta para gestores públicos e sociedade civil sobre a urgência de garantir acesso à arte e cultura. O exemplo de Itaguara mostra que, apesar das conquistas nas políticas de incentivo, a concretização de espaços permanentes segue como desafio central para a população. Mais do que nunca, é preciso investir em sensibilidade, conhecimento e oportunidades para o florescimento artístico das cidades.