Rogério Correia pede ao STF bloqueio das redes sociais de Nikolas Ferreira após manifestações e ameaças contra ministros
Pedido reforça histórico de decisões de Alexandre de Moraes por coação institucional

Luciano Meira
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou representação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo o bloqueio cautelar das redes sociais do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O pedido, encaminhado após manifestações públicas protagonizadas por Ferreira durante ato na Avenida Paulista no último domingo (3), alega instrumentalização sistemática das plataformas para atacar a Corte e coagir ministros, em especial Alexandre de Moraes.
No episódio indicado na representação, Nikolas Ferreira exibiu uma chamada de vídeo com o ex-presidente Jair Bolsonaro—que está proibido por decisão judicial de usar redes sociais ou fazer transmissões por perfis de terceiros. Durante o ato, o deputado proferiu frases como “Alexandre de Moraes vai pagar pelo que está fazendo” e “sem a toga você não é nada”, incitando hostilidade contra os ministros do STF e estimulando seus apoiadores a intensificarem críticas e ataques institucionais.Como justificativa para o pedido, Rogério Correia aponta possíveis crimes de coação no curso do processo, obstrução da Justiça e incitação ao crime. A petição sugere o bloqueio temporário dos perfis de Nikolas — Instagram, X (Twitter), YouTube, TikTok e Facebook — por pelo menos 90 dias, alegando necessidade de proteger a integridade processual e a segurança institucional do STF.
“O uso abusivo e reiterado das redes por Nikolas Ferreira para atacar o Supremo, ameaçar ministros e distorcer a opinião pública precisa ser interrompido com urgência. O Parlamento não pode ser usado como escudo para crimes”, afirmou o parlamentar petista.
A representação também pede o envio do caso à Procuradoria-Geral da República para investigação formal das condutas de Nikolas Ferreira e eventual apresentação de denúncia.
O movimento de Rogério Correia reforça a série de decisões já tomadas pelo ministro Alexandre de Moraes contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados, fundamentadas em episódios de manifestações públicas e uso de redes sociais para pressionar ou ameaçar o STF. Moraes tem sido firme ao coibir o uso desses canais para ameaças institucionais: em decisões recentes, chegou a proibir que Bolsonaro utilizasse qualquer perfil próprio ou de terceiros para se manifestar em redes sociais — inclusive restringindo transmissões, áudios e vídeos em canais de aliados, filhos e apoiadores. O descumprimento dessas medidas resultou na decretação de prisão domiciliar do ex-presidente, além de buscas e apreensão de celulares e proibição de visitas, exceto a parentes próximos e advogados.
Na fundamentação dessas decisões, Moraes destacou que Bolsonaro continuava, de maneira dissimulada, a se comunicar com apoiadores via familiares e aliados, inclusive preparando “material pré-fabricado” para ser divulgado por terceiros durante manifestações. Tais conteúdos foram classificados pelo ministro como tentativas de obstrução da Justiça e coação ao STF. Declarações incisivas e vídeos compartilhados durante manifestações — especialmente contra Moraes — serviram como provas para sustentar a gravidade e a reincidência dos atos, levando às sanções mais duras, como a restrição à comunicação do ex-presidente e de seu círculo próximo.
O caso de Nikolas Ferreira é visto, na avaliação de Rogério Correia, sob a mesma ótica das condutas atribuídas a Bolsonaro e deve ser analisado pelo Supremo como tentativa reiterada de mobilizar as bases e tensionar o ambiente institucional via redes sociais e manifestações públicas.