Secretário falta à convocação da Assembleia e amplia crise após caos em aulão de IA no Mineirão

Deputada Beatriz Cerqueira critica “fuga” de Rossieli Soares e cobra respeito à Comissão de Educação da ALMG

Secretário de Estado de Educação de Minas Gerais, Rossieli Soares – Foto: Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

O secretário de Estado de Educação de Minas Gerais, Rossieli Soares, voltou a se ausentar de uma convocação da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde deveria explicar o caos no “aulão” de inteligência artificial realizado no Mineirão e marcado por pancadaria entre estudantes e falta de estrutura de segurança. Segundo a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), presidente da comissão, não foi por falta de oportunidade: “Desde que ele tomou posse, teve inúmeras oportunidades de vir à Casa Legislativa, foi convidado muitas vezes, mas sempre designou um representante para falar em nome da secretaria”, afirmou, ao criticar o que chama de desrespeito ao Parlamento e à sociedade mineira.​​

Ausência e “fuga” em meio à crise

A convocação desta vez foi motivada pela gravidade das cenas registradas no Mineirão, onde brigas generalizadas entre alunos interromperam o evento promovido pela Secretaria de Educação em parceria com empresas de tecnologia e com a presença do governador Romeu Zema (Novo). Beatriz relata ter recebido vídeos “com imagens assustadoras de como os adolescentes foram tratados, de situações de violência” e relatos de mães sobre crises de pânico e ansiedade entre estudantes, sem suporte adequado durante o aulão.​​Mesmo assim, o secretário não compareceu à audiência marcada na ALMG, alegando estar em São Paulo, o que a parlamentar classificou como opção política: “O secretário não veio, justificou que estaria em São Paulo, ele fez a opção de ir para São Paulo”, disse, lembrando que, no governo Zema, “São Paulo e Rio de Janeiro estão contando mais com a presença do governo que o próprio estado de Minas Gerais”. Beatriz também criticou o fato de Rossieli, após a agenda em outro estado, embarcar para a Índia antes de prestar contas ao Legislativo: “Lamentamos que, entre vir à Casa Legislativa e ir para outro estado, ele optou por ir para outro estado… depois vai para a Índia e, só no retorno, virá prestar esclarecimentos”.​​

Falhas de segurança, atendimento e planejamento

A deputada elenca uma série de perguntas que o secretário ainda não respondeu e que foram oficialmente aprovadas pela comissão, começando pelo planejamento do evento: “Queremos saber tudo: quem planejou o Mineirão, quem avaliou que aquilo poderia ser uma atividade pedagógica com algum retorno no processo de ensino e aprendizagem”. Ela questiona por que não havia estrutura mínima de atendimento e prevenção, qual foi o plano de segurança e por que “todas as imagens indicam que nada foi feito” para evitar o tumulto.​​

Beatriz também pede transparência sobre os custos e os responsáveis financeiros: “Quanto custou, quem pagou, porque a Google lucrou com esse evento que levou o nome dele em todas as discussões”, pontua, cobrando esclarecimentos sobre o uso de recursos públicos. A parlamentar lembra que não há informações consolidadas sobre quantas pessoas se machucaram, como foram atendidas e quantas equipes de saúde e de segurança estavam presentes no estádio, o que, para ela, reforça a imagem de “uma secretaria que não se importa em prestar esclarecimentos à sociedade”.​​

Pressão sobre governo Zema e órgãos de controle

Além do secretário, a deputada afirma que a comissão aprovou pedidos de informação à gestão do Mineirão e prepara questionamentos à Polícia Militar, para saber se a corporação foi acionada com antecedência e se participou de algum plano preventivo de segurança. “Eventos com milhares de pessoas têm que ter organização prévia”, sustenta Beatriz, reforçando que o Ministério Público e a Promotoria da Infância e Juventude já foram acionados “no mesmo dia desse caos” para apurar responsabilidades.​​

Para a parlamentar, o que está em jogo é a responsabilização do governo Zema pelas falhas no evento, e não a criminalização dos estudantes: “É não normalizar, é não achar que é natural uma gestão pública fazer o que fez e ficar por isso mesmo, como se ela não devesse explicações à sociedade”, afirma. Beatriz insiste que “o que deu errado foi de responsabilidade do governo, não de terceiros” e cita exemplos de medidas básicas que poderiam ter sido adotadas, como a proibição da distribuição de garrafas de água fechadas, permitida no aulão, mas vetada em dias de jogo.​​

Blindagem política e cobrança por respeito ao Parlamento

A petista denuncia ainda tentativas de “blindar” o secretário dentro da própria Assembleia para evitar que ele fosse obrigado a se explicar sobre o aulão de IA. “Tentaram blindar o secretário aqui, impedindo a sua convocação, mas o mínimo que a gente tem que zelar é pelo respeito à Comissão de Educação, para que ele preste os esclarecimentos necessários”, critica. Ela afirma que, mesmo diante da resistência do governo e de sua base, a comissão já aprovou questionamentos formais que Rossieli deverá responder antes de finalmente ir à ALMG.​​

Beatriz conclui que a sociedade mineira não pode aceitar a ausência do secretário como algo corriqueiro, especialmente diante de um episódio que expôs milhares de adolescentes a riscos físicos e emocionais em um evento organizado pelo próprio poder público. Enquanto as respostas não chegam, cresce a pressão sobre a Secretaria de Educação e o governo Zema para que assumam responsabilidades pelo “aulão do caos” no Mineirão e pela sucessão de ausências do titular da pasta diante do Parlamento estadual.

O Metropolitano

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