Sem Pacheco, PT de Minas acelera debate sobre candidatura própria ao governo

Encontro em Contagem reúne cerca de 1.500 pessoas, reforça mobilização pela reeleição de Lula e marca nova etapa das articulações eleitorais no estado

Edinho Silva, presidente nacional do PT e deputada estadual Leninha, presidenta PT-MG – Foto: PT Divulgação

Luciano Meira

A confirmação de que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) não disputará o governo de Minas Gerais levou o PT mineiro a acelerar o debate sobre candidatura própria ao Palácio Tiradentes e reorganizar sua estratégia eleitoral para 2026. Em meio ao novo cenário político, o PT de Minas Gerais reuniu neste sábado (30), em Contagem, cerca de 1.500 militantes, dirigentes, parlamentares e representantes de movimentos sociais em um encontro voltado à mobilização pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à definição dos próximos passos da legenda no estado.

O encontro ocorreu poucos dias após Pacheco confirmar que não pretende disputar o governo mineiro e que deverá deixar a vida pública ao fim do mandato. A decisão encerrou meses de articulação conduzida pelo presidente Lula e pelo PT, que viam no ex-presidente do Senado um nome capaz de liderar uma frente ampla e garantir um palanque competitivo em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.

Presidente nacional do PT, Edinho Silva afirmou que a legenda respeitou o processo de decisão do senador e iniciou uma nova etapa de negociações após a confirmação da desistência.

“Na última conversa que eu tive com ele, ele me disse que queria sair da vida política, que iria priorizar a atuação enquanto advogado. O vice-presidente Alckmin esteve com ele também e ele ratificou a posição. A partir dessa concretização, nós começamos o diálogo com os partidos aliados e também com a direção do PT de Minas Gerais”, declarou.

Segundo Edinho, a direção nacional considera Minas peça estratégica para a disputa presidencial e pretende construir a definição eleitoral sem precipitação.

“Minas é um estado fundamental para a construção da nossa tática nacional. Seria erro agir por impulso. O Rodrigo Pacheco é uma grande liderança em Minas Gerais e foi correto respeitar esse processo”, afirmou.

A retirada de Pacheco reabriu as negociações políticas e obrigou o partido a redesenhar o palanque lulista no estado. Em Contagem, o novo cenário dominou os debates e levou a Executiva estadual a reafirmar a disposição de construir uma candidatura própria ao governo.

Presidente do PT de Minas Gerais, a deputada estadual Leninha afirmou que o partido decidiu formalizar o debate para não depender exclusivamente de decisões externas.

“Nós estamos nessa discussão da importância do PT protagonizar também a própria história, não ficar refém de decisões de fora do partido ou da federação”, disse.

Segundo ela, a decisão foi consolidada após reunião da Executiva estadual realizada logo depois da manifestação pública de Pacheco.

“O PT não se pronunciou aqui em Minas sobre a decisão do Pacheco. Ele que teria que falar que não era candidato. Ontem entendemos que ele já falou que não é candidato. A partir disso, a Executiva reuniu e confirmou que vamos trabalhar com candidatura própria”, afirmou.

Apesar do novo direcionamento, Leninha ressaltou que a prioridade continua sendo a reeleição de Lula e que o partido mantém diálogo aberto com outras forças políticas.

Divulgação PT-MG

“Se tiver que recuar nessa candidatura própria até a convenção, se tiver que avançar com ela, nós vamos fazer entendendo que a prioridade é a reeleição do Lula. Sem nenhuma vaidade, estamos muito acertados para definir a melhor tática”, declarou.

Edinho reforçou que não há contradição entre a posição estadual e a direção nacional e que o debate sobre candidatura própria serve como instrumento de negociação política.

“Como é que você entra num processo de negociação sem ter posição? O PT tem que ter sua posição e dialogar com os aliados a partir dela”, afirmou.

Segundo o dirigente, a avaliação da direção mineira terá peso decisivo na definição da estratégia eleitoral.

“A posição do PT de Minas Gerais vai ter muito peso para nós. Ninguém conhece melhor Minas do que quem vive Minas”, disse.

Durante o encontro, foi reafirmada a intenção de construir uma chapa majoritária competitiva, incluindo candidaturas ao governo e ao Senado. Nesse contexto, a ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Regina Goulart Almeida, colocou seu nome à disposição do partido.

Edinho confirmou que Sandra integra o conjunto de nomes em discussão, embora tenha evitado antecipar definições.

“A Sandra é uma liderança reconhecida em Minas e no Brasil. É um nome, mas nós temos outros nomes aqui em Minas também”, afirmou.

Leninha também citou que há outros quadros considerados pela legenda e afirmou que o partido ainda ouvirá a militância e dirigentes regionais antes de reduzir o número de opções.

“Hoje teve outras sugestões de nomes. Nós estamos ouvindo a militância e as pessoas. Com certeza a Executiva vai canalizar alguns desses nomes para chegar numa definição”, disse.

O encontro reuniu ainda pré-candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa, em movimento interpretado pela direção partidária como demonstração de organização antecipada para o próximo ciclo eleitoral.

Além do debate interno, o PT manteve abertas as conversas com aliados nacionais e lideranças mineiras. Edinho confirmou diálogo com o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), com o empresário Josué Gomes (PSB), e com Gabriel Azevedo (MDB).

“O que a gente puder fazer para unificar o campo democrático nós vamos fazer”, afirmou.

Leninha adotou linha semelhante ao tratar das alianças em Minas e resumiu a prioridade do partido para 2026.

“A pergunta principal para nós em Minas é quem vem para o nosso time do Lula”, declarou.

O encontro em Contagem consolidou, assim, uma nova etapa da estratégia petista no estado: sem o nome de Rodrigo Pacheco, a legenda passou a combinar a mobilização pela reeleição presidencial com a construção de alternativas próprias para a disputa ao governo mineiro.

O Metropolitano

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