Servidores do Vaticano relatam clima de injustiça e má gestão

Pesquisa da associação de funcionários leigos revela estagnação salarial e ambiente de trabalho repressivo na Santa Sé

Reprodução
Luciano Meira

Uma pesquisa realizada pela Associação de Funcionários Leigos do Vaticano (ADLV) revelou um cenário de forte insatisfação entre os servidores da Santa Sé, marcado por falta de reconhecimento profissional, desconfiança em relação à gestão e queixas de injustiças no ambiente de trabalho.

O levantamento foi conduzido entre 15 de dezembro e 7 de janeiro e ouviu 250 pessoas de diferentes departamentos e entidades do Vaticano. Segundo comunicado da ADLV, a amostra buscou abranger perfis diversos, e cerca de 80% dos participantes são associados à entidade.De acordo com os dados, a maioria dos funcionários trabalha em um clima de desmotivação, onde a iniciativa individual é desencorajada e não há colaboração entre os setores. Cerca de 64% dos entrevistados afirmaram que não são remunerados adequadamente pelo esforço empenhado, o que gera sentimentos de estresse e indignação.

Estagnação e falta de critérios

A perda do poder de compra é uma das queixas centrais. A associação afirma que a base salarial está congelada desde 2008, enquanto a carga de trabalho aumentou significativamente nos últimos anos. Além disso, os servidores criticam a ausência de meritocracia em promoções e bônus, que seriam distribuídos com base em favoritismo e critérios pouco transparentes.

O relatório detalha ainda a falta de oportunidades para formação profissional e crescimento na carreira. “O ambiente de trabalho tornou-se um lugar sem alegria, onde o desempenho superior não é reconhecido”, destaca o documento da ADLV.

Ambiente repressivo

Os funcionários também denunciaram a existência de abusos de poder e o que chamaram de “ambiente repressivo”. Segundo o levantamento, não existem mecanismos internos eficientes para reportar condutas indevidas sem que o denunciante sofra retaliações imediatas.

A situação agravou-se com a recente ação judicial movida por 49 funcionários dos Museus do Vaticano. Eles contestam condições de trabalho que consideram injustas e deficientes, marcando o primeiro processo coletivo da história contra a administração do Papa Francisco. A ADLV reiterou que continuará pressionando por reformas nos regulamentos trabalhistas e por maior proteção às famílias dos colaboradores.

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