STF inicia em 2 de setembro julgamento dos réus da trama golpista comandada por Bolsonaro

Primeira Turma do Supremo analisará principais acusados por tentativa frustrada de golpe contra Estado Democrático em 2022

Ministro Cristiano Zanin – Divulgação STF
Luciano Meira

O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para o dia 2 de setembro de 2025 o início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete integrantes do chamado núcleo crucial da trama golpista que tentou evitar a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022. A sessão será conduzida pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, e representa a etapa judicial mais avançada da série de investigações sobre o complô golpista que envolveu setores do governo e das Forças Armadas.

Entenda o processo: o que está em jogo

A ação penal, identificada como nº 2668, originou-se de investigações da Polícia Federal e denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou Bolsonaro como líder do esquema supostamente destinado a desacreditar o sistema eleitoral brasileiro e executar um golpe de Estado caso perdesse as eleições. Segundo o Ministério Público, a trama se desenvolveu entre 2021 e janeiro de 2023, culminando nos ataques do dia 8 de janeiro às sedes dos Três Poderes em Brasília, que teriam sido o ápice da tentativa golpista.Quem são os réus

O núcleo considerado mais estratégico pelo STF inclui nomes do alto escalão do governo e das Forças Armadas:

Jair Bolsonaro — ex-presidente da República

Alexandre Ramagem — deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)

Almir Garnier Santos — almirante e ex-comandante da Marinha

Anderson Torres — ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal

Augusto Heleno — general da reserva e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI)

Paulo Sérgio Nogueira — general, ex-ministro da Defesa

Walter Braga Netto — general da reserva, ex-ministro e candidato a vice-presidente em 2022

Mauro Cid — tenente-coronel, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro

Os crimes e as penas previstas

Os réus respondem pelos seguintes crimes, segundo denúncia da PGR:

Organização criminosa armada

Golpe de Estado

Tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito

Dano qualificado pela violência e grave ameaça

Deterioração de patrimônio tombado

Caso condenados, as penas podem ultrapassar 30 e até chegar a 46 anos de prisão para cada um, dependendo da gravidade e da participação individual nas ações.

O rito do julgamento

O julgamento será realizado pela Primeira Turma do STF, composta por cinco ministros: Alexandre de Moraes (relator), Cristiano Zanin (presidente), Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino. A sessão inicial está marcada para às 9h, com outras reuniões extraordinárias previstas para os dias 3, 9, 10 e 12 de setembro. Os trabalhos serão transmitidos integralmente pela TV Justiça, Rádio Justiça e canais oficiais do Supremo.

A análise seguirá o seguinte rito:

Leitura do relatório pelo relator Alexandre de Moraes

Apresentação das sustentações orais pela acusação (PGR) e pelas defesas

Voto do relator e dos demais ministros, com possibilidade de pedidos de vista, adiamentos ou votação imediata

Proclamação do resultado: absolvição ou condenação dos acusados

O julgamento começa após entrega das alegações finais pelas defesas, encerrando a fase de instrução processual. O caso representa o primeiro teste do sistema judiciário brasileiro diante da tentativa de ruptura democrática que marcou a transição presidencial de 2022.

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