Tragédia em escola escancara falhas recorrentes do governo Eduardo Leite na prevenção de desastres
Enquanto vítimas e famílias choram, governador repete promessas e discursos, mas segue acumulando atrasos em medidas preventivas e má gestão de recursos

Luciano Meira
O ataque brutal ocorrido na manhã desta terça-feira (8) na Escola Municipal Maria do Nascimento Giacomazzi, em Estação, Rio Grande do Sul, deixou uma criança morta, outras duas feridas e uma professora hospitalizada após tentar defender seus alunos. O agressor, um adolescente de 16 anos, entrou no prédio com a justificativa de entregar um currículo, pediu para ir ao banheiro e, armado com faca e facão, invadiu uma sala do terceiro ano, atacando aleatoriamente crianças e funcionários. A tragédia abalou profundamente a pequena cidade de 5.500 habitantes e paralisou as atividades escolares por tempo indeterminado.Diante da dor das famílias e da comunidade, o governador Eduardo Leite (PSD) foi rápido em lamentar o ocorrido, declarando: “Nada é mais urgente do que garantir que nossas crianças estejam seguras” e classificando o episódio como “inaceitável”, prometendo prioridade total ao caso e mobilização das forças de segurança. Palavras fortes, que soam como consolo vazio para quem perdeu um filho ou vê colegas e professores feridos.
O problema é que o discurso de Leite já não convence. O governador se tornou especialista em aparecer depois do desastre, com frases de efeito e promessas de rigor, mas incapaz de agir preventivamente. O histórico recente do Rio Grande do Sul é prova disso: durante as enchentes que devastaram o estado em 2024 e 2025, Leite foi acusado de ignorar relatórios e estudos técnicos sobre prevenção de tragédias, engavetar planos de gestão de riscos e adiar a aplicação de verbas federais para obras de contenção de cheias. O resultado foram centenas de mortes, milhares de desabrigados e bilhões em prejuízos.
Mesmo com recursos federais garantidos para obras de infraestrutura, o governo gaúcho segue colecionando atrasos, justificando-se com burocracias e disputas políticas, enquanto a população paga o preço do descaso e da má gestão. O padrão se repete agora: só depois da tragédia, Leite se apressa em cobrar investigação, reforçar policiamento e prometer “ações efetivas” para proteger escolas. Mas onde estavam as medidas de prevenção, a segurança reforçada, o acompanhamento de jovens em situação de risco? Onde estava o Estado antes do sangue correr nos corredores da escola?
Às vítimas e seus familiares, resta a solidariedade e o desejo de justiça. Mas, à sociedade gaúcha, cabe exigir mais do que discursos e notas de pesar: é preciso cobrar responsabilidade e ação concreta de quem governa, para que tragédias como esta não se tornem rotina em um estado já tão marcado pela dor e pelo abandono.