Trump convida Lula para integrar Conselho de Paz em Gaza
Órgão internacional terá como metas a reconstrução da região e a estabilização política após o conflito entre Israel e Hamas

Luciano Meira
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para compor o recém-formado Conselho de Paz de Gaza. O convite foi enviado na última sexta-feira, 16 de janeiro, por meio de uma carta encaminhada à Embaixada do Brasil em Washington. Até o momento, o governo brasileiro não confirmou se aceitará a participação no órgão.
O conselho é uma iniciativa da Casa Branca para gerenciar a transição política e a reconstrução da Faixa de Gaza após o encerramento das hostilidades. Segundo Trump, o objetivo público da entidade é atrair investimentos internacionais e garantir uma governança estável para a região devastada. O republicano classificou o grupo como um dos “mais prestigiosos já formados” na história da diplomacia.
Composição e metas
Além de Lula, outros líderes internacionais foram convidados para o conselho, entre eles o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. O órgão contará ainda com a supervisão direta de autoridades americanas, como o secretário de Estado, Marco Rubio, e terá a colaboração do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
O plano de Trump prevê que o Conselho de Paz supervisione um comitê de administração local, formado por tecnocratas palestinos independentes, que cuidará do dia a dia de Gaza. A estrutura também inclui uma Força Internacional de Estabilização, comandada por um general do Exército dos Estados Unidos. Membros que contribuírem com US$ 1 bilhão para o fundo de reconstrução poderão ter mandatos vitalícios no conselho.
Contexto diplomático
O convite ocorre em um momento de tensões diplomáticas entre o Brasil e Israel. O governo israelense manifestou discordância em relação à lista de convidados de Trump, lembrando que Lula foi declarado *persona non grata* em Tel-Aviv após críticas severas às operações militares na Faixa de Gaza.
Assessores do Palácio do Planalto informaram que o presidente Lula deve avaliar o convite apenas na próxima semana. Historicamente, a diplomacia brasileira prioriza a mediação de conflitos via Organização das Nações Unidas (ONU), fórum ao qual o novo conselho de Trump não está diretamente vinculado.
