UFMG conquista certificação internacional inédita em engenharia de sistemas
Universidade em Belo Horizonte será a primeira de país de língua não inglesa a oferecer curso reconhecido pelo Incose para formar engenheiros de sistemas com selo global

Luciano Meira
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai oferecer, a partir do primeiro semestre de 2026, uma certificação internacional em engenharia de sistemas reconhecida pelo International Council on Systems Engineering (Incose), entidade global de referência na área. A instituição, sediada em Belo Horizonte, será a primeira universidade de um país de língua não inglesa a ministrar um curso de extensão oficialmente equivalente ao exame de certificação ASEP (Associate Systems Engineering Professional), voltado à validação de competências em sistemas complexos.
Certificação internacional inédita
A certificação será concedida por meio do curso de extensão “Engenharia de Sistemas: Conceitos, Processos e Práticas”, oferecido pelo Departamento de Engenharia Elétrica da Escola de Engenharia da UFMG, sob gestão da Fundação Christiano Ottoni (FCO). Em dezembro, a universidade firmou parceria com o Incose que reconhece o curso como equivalente ao exame de conhecimento do nível ASEP, permitindo que o aluno aprovado receba o selo internacional sem precisar fazer a prova tradicional aplicada pela organização.
Na prática, o certificado ASEP atesta, em âmbito global, que o profissional domina os conceitos fundamentais, processos e boas práticas necessários para atuar no desenvolvimento e na gestão de sistemas de alta complexidade ao longo de todo o ciclo de vida. O selo é valorizado por setores como aeroespacial, energia, tecnologia da informação, defesa e indústria, funcionando como diferencial competitivo em seleções e projetos internacionais.
Papel da UFMG e da coordenação
A formalização do acordo com o Incose ocorreu após a professora Ana Liddy Cenni de Castro Magalhães, uma das coordenadoras da iniciativa, ser certificada como ESEP (Expert Systems Engineering Professional), o nível mais elevado da trilha profissional oferecida pela entidade. Ela é a primeira profissional da área acadêmica na América Latina a alcançar esse patamar, o que abriu caminho para a negociação da equivalência do curso da UFMG ao exame ASEP.
Graduada em Ciência da Computação e doutora em Engenharia Elétrica, Ana Liddy avalia que a conquista representa um passo importante para a internacionalização da formação em engenharia de sistemas no Brasil, ao alinhar o conteúdo do curso às melhores práticas globais. Para o capítulo brasileiro do Incose, o reconhecimento da UFMG é visto como um avanço coletivo para a comunidade nacional de engenharia de sistemas, com potencial de ampliar a presença de profissionais brasileiros em projetos estratégicos no exterior.
Como será o curso e quem pode participar
A primeira oferta do curso “Engenharia de Sistemas: Conceitos, Processos e Práticas” está prevista para o primeiro semestre de 2026, em formato presencial, com aulas aos sábados, voltado a engenheiros, profissionais de tecnologia e áreas correlatas, além de estudantes de graduação. A expectativa da universidade é, em etapas seguintes, lançar turmas remotas, com aulas síncronas, para atender interessados de outras cidades, estados e países de língua portuguesa.
O corpo docente reúne professores do Departamento de Engenharia Elétrica da Escola de Engenharia, como André Costa Batista, Diogo Batista de Oliveira, Lucas de Souza Batista, Michel Bessani e Ricardo Luiz da Silva Adriano. De acordo com a UFMG, alunos da graduação em Engenharia de Sistemas, já ofertada pela instituição desde 2011, terão conteúdo bastante alinhado ao programa da certificação e poderão, em muitos casos, conquistar o selo internacional ainda durante a formação, se aprovados no curso de extensão.
Engenharia de sistemas em alta complexidade
A engenharia de sistemas é definida pela UFMG como uma abordagem interdisciplinar voltada à concepção, integração e gestão de sistemas compostos por múltiplos subsistemas, tecnologias e equipes, frequentemente presentes em setores como transporte, energia, telecomunicações, saúde e defesa. O profissional da área atua desde a fase de requisitos e projeto até a operação e a desativação de sistemas complexos, articulando aspectos técnicos, organizacionais e de risco.
Com a certificação do Incose, a UFMG espera fortalecer a inserção de seus egressos em ambientes corporativos que exigem padrões internacionais de qualidade, gestão de riscos e integração de grandes projetos. A universidade destaca que, em um cenário de digitalização acelerada e de sistemas cada vez mais conectados, a engenharia de sistemas ganha centralidade na solução de problemas críticos em escala global.
Impacto para Minas Gerais e para o Brasil
Sediada em Belo Horizonte, a UFMG reforça com a iniciativa o papel de Minas Gerais como polo de formação tecnológica e de inovação, ao oferecer uma certificação internacional rara mesmo em universidades de países desenvolvidos. Para empresas instaladas no estado, especialmente nos setores de mineração, energia, tecnologia e indústria avançada, a presença de profissionais certificados tende a facilitar o desenvolvimento de projetos complexos e a integração com cadeias globais.
No plano nacional, a parceria com o Incose é vista como um marco na qualificação de engenheiros brasileiros para atuar em projetos que seguem padrões internacionais de engenharia de sistemas, reduzindo barreiras de reconhecimento profissional no exterior. A universidade e a FCO apostam que o selo ajudará a atrair estudantes e profissionais de outras regiões do país e de países lusófonos, consolidando a UFMG como referência regional em formação avançada em engenharia de sistemas.
