União Europeia convoca reunião de emergência após pressão dos EUA pela Groenlândia
Bloco reage a ameaças de tarifas contra países europeus e reforça apoio à soberania da Dinamarca sobre o território ártico

Luciano Meira
A União Europeia convocou uma reunião extraordinária de embaixadores para este domingo em Bruxelas, visando coordenar uma resposta às recentes pressões do governo dos Estados Unidos para a aquisição da Groenlândia. O encontro ocorre após o presidente Donald Trump anunciar a intenção de aplicar tarifas de 10% sobre as importações de oito países europeus caso não haja avanços nas negociações para a venda do território.
A crise diplomática intensificou-se no último sábado, quando a Casa Branca indicou que as sobretaxas poderiam subir para 25% até junho. Os países alvo da medida incluem a Dinamarca — que detém a soberania sobre a Groenlândia —, além de Alemanha, França, Reino Unido e nações nórdicas. O pretexto para a pressão econômica seria a presença de tropas europeias em exercícios militares no Ártico, região que Washington considera vital para sua segurança nacional e para a competição mineral com a China.
A Groenlândia é a maior ilha do mundo e funciona como um território semiautônomo sob o Reino da Dinamarca desde o século 18. Rica em recursos naturais e terras raras, a ilha tornou-se o centro de uma disputa geopolítica devido ao degelo de rotas marítimas no Ártico. O governo dinamarquês e as autoridades locais da Groenlândia já declararam publicamente que o território “não está à venda”, classificando as investidas americanas como uma violação do direito internacional.
A resposta da União Europeia busca demonstrar união frente ao que diplomatas classificam como “chantagem tarifária”. Além do apoio político à Dinamarca, o bloco avalia medidas de retaliação comercial que podem chegar a 93 bilhões de euros em sobretaxas contra produtos americanos. Para a cúpula da UE, a preservação da integridade territorial de seus membros é uma “linha vermelha” inegociável na relação transatlântica.
