Valentão no “seguro”: defesa de agressor pede cela especial por medo da cadeia

Após enviar jovem ao coma, Pedro Turra descobre que a coragem acaba onde a grade começa e solicita isolamento na Papuda

O valentão Pedro Arthur Turra Basso – Reprodução
Luciano Meira

O ex-piloto de automobilismo Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, foi transferido nesta semana para o Centro de Detenção Provisória do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A prisão preventiva foi decretada após a Polícia Civil apresentar novas evidências de comportamento violento do jovem, que já respondia por agredir um adolescente de 16 anos durante uma discussão motivada por um chiclete.O crime ocorreu em 23 de janeiro, em Vicente Pires (DF). Segundo as investigações, Turra desferiu uma série de golpes contra a vítima, identificada como Rodrigo, que sofreu traumatismo craniano e parada cardíaca. O adolescente permanece internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sem previsão de alta, e a família realiza campanhas para doação de sangue.

O “temor” do valentão

Embora o vigor físico de Pedro Turra tenha sido suficiente para enviar um menor de idade ao coma, o ímpeto do ex-piloto parece ter se dissipado diante das grades. Seus advogados, em um movimento que beira o cômico, alegaram que o cliente corre “risco real de morte” no sistema prisional comum. O argumento de que o agressor estaria sendo ameaçado por outros detentos — que, ao que tudo indica, não apreciam o currículo de violência do rapaz — convenceu a Justiça a conceder-lhe uma cela individual, conhecida como “Seguro*”.

Assim, o jovem que não hesitou em usar a força contra um adolescente agora desfruta do conforto do isolamento, longe do convívio que tanto o apavora. A defesa da vítima classificou a medida como um “tratamento diferenciado”, reforçando a percepção de que, para certos perfis, a justiça brasileira oferece uma estadia com distanciamento social garantido.
* – Seguro é a expressão usada no jargão policial para os presos que por medo pedem para ser retirados do convívio com os demais.

Histórico de agressões

A decisão pela prisão preventiva, que substituiu a liberdade provisória concedida após o pagamento de fiança de R$ 24,3 mil, baseou-se em outros três registros policiais contra Turra. Entre as denúncias, constam uma agressão em briga de trânsito e o relato de uma jovem que afirma ter sido coagida por ele a ingerir bebida alcoólica sob ameaça de uma arma de choque (taser).

A categoria Fórmula Delta, onde Turra atuava, anunciou o desligamento definitivo do piloto logo após a repercussão do caso.

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