Warner Bros. rejeita oferta da Paramount e segue acordo com a Netflix

Conselho da companhia recomenda a acionistas que ignorem proposta hostil da Paramount Skydance e priorizem venda de estúdio e streaming por US$ 83 bilhões

Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

A Warner Bros. Discovery rejeitou nesta quarta-feira (7) a oferta revisada de aquisição apresentada pela Paramount Skydance, reafirmando o compromisso com o acordo de US$ 83 bilhões fechado com a Netflix para a venda de seu estúdio e negócios de streaming. Em carta ao mercado, o conselho da companhia considerou a proposta da Paramount “inadequada”, citando valor insuficiente, riscos regulatórios e custos elevados para os acionistas em caso de falha na operação. A decisão ocorre em meio a uma disputa acirrada no setor de entretenimento, com a Paramount apelando diretamente aos acionistas via oferta hostil.Contexto da disputa bilionária

A batalha começou em setembro de 2025, quando a Paramount manifestou interesse em ativos da Warner, resultando em múltiplas propostas rejeitadas antes do anúncio do acordo com a Netflix em dezembro. A oferta inicial da Paramount, de US$ 30 por ação para toda a companhia, foi seguida de revisões que incluíram garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões do bilionário Larry Ellison, pai do CEO da Paramount Skydance, David Ellison. Apesar do aumento da multa rescisória para US$ 5,8 bilhões em caso de bloqueio regulatório, a Warner manteve que o negócio com a Netflix oferece maior certeza e valor, sem comprometer ativos como redes de TV a cabo.

Detalhes das propostas em confronto

O acordo com a Netflix, avaliado em cerca de US$ 83 bilhões, foca na aquisição do estúdio Warner Bros. e plataformas de streaming como HBO Max, permitindo à companhia separar e vender separadamente seus canais lineares, como CNN e Discovery. Em contraste, a Paramount busca comprar toda a Warner Bros. Discovery, incluindo dívidas e ativos de TV tradicional, o que demandaria mais de US$ 94 bilhões em financiamento e elevaria riscos de endividamento excessivo. Analistas destacam que a transação com a Netflix minimiza incertezas antitruste, já em discussão com o Departamento de Justiça dos EUA e a Comissão Europeia.

Implicações para Hollywood e acionistas

A rejeição expõe tensões no mercado de mídia, onde consolidações buscam escala em meio à queda de assinaturas lineares e ascensão do streaming. Acionistas da Warner ainda podem optar pela oferta da Paramount, mas o conselho alerta para custos como taxa de ruptura de US$ 2,8 bilhões à Netflix e multas adicionais de até US$ 4,7 bilhões. A Netflix celebrou a decisão, reforçando que o acordo representa “o parceiro certo, na hora certa”, enquanto a Paramount avalia próximos passos, inclusive judiciais. O desfecho depende de aprovações regulatórias, com o presidente Donald Trump sinalizando possível interferência na fusão com a Netflix.

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