Zema amplia exposição nacional, mas segue distante dos líderes nas pesquisas para 2026
Ex-governador de Minas aparece com índices modestos na disputa presidencial enquanto intensifica embates políticos; cenário ocorre em meio a questionamentos sobre sua gestão e cobranças por esclarecimentos sobre contratos e indicadores em Minas Gerais

Luciano Meira
Romeu Zema (Novo) intensificou nos últimos meses a estratégia de projeção nacional com críticas frequentes ao governo federal, ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, mais recentemente, confronto público com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação de áudios envolvendo o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro. Os números eleitorais, porém, ainda não mostram conversão dessa exposição em competitividade presidencial.
A pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta semana coloca o ex-governador mineiro em posição periférica no principal cenário presidencial testado. Na intenção espontânea de voto — quando não são apresentados nomes aos entrevistados — Zema registra 1,9%, atrás de Lula (33%), Flávio Bolsonaro (18,7%) e Ronaldo Caiado (2,3%).

No cenário estimulado principal de primeiro turno, sua situação pouco muda. Zema aparece com 2,4%, distante dos líderes Lula, com 38,5%, e Flávio Bolsonaro, com 31,5%, além de ficar abaixo de Caiado, que soma 5,5%.
A pesquisa também testou cenários alternativos de primeiro turno. Em uma simulação com Michelle Bolsonaro, Zema marca 3,8%; em outra, com Tereza Cristina, registra 3,7%.
O desempenho reforça uma dificuldade que analistas vêm apontando desde o início do ano: embora mantenha forte reconhecimento em Minas Gerais e tenha sido reeleito governador em 2022, Zema ainda encontra obstáculos para transformar notoriedade regional em densidade eleitoral nacional.

Outros levantamentos nacionais indicam quadro semelhante. Em cenários de segundo turno compilados ao longo de 2026, Zema aparece frequentemente atrás de Lula, com oscilações que variam conforme o instituto, mas sem consolidar posição de favorito no campo da direita. Em abril e maio, pesquisas como Quaest, Nexus, Futura e o próprio Meio/Ideia mostraram vantagem do presidente sobre o ex-governador mineiro em confrontos diretos.
A discrepância entre exposição e intenção de voto chama atenção porque Zema ampliou de forma visível sua presença no debate nacional. O ex-governador multiplicou aparições em redes sociais e embates públicos, movimento que incluiu desde o vídeo em que aparece comendo banana com casca — peça de comunicação que buscava reforçar discurso de simplicidade e antipolítica — até ataques recorrentes ao Planalto e ao presidente Lula.

Mais recentemente, Zema passou a mirar também adversários no campo conservador. Após a divulgação dos áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, o ex-governador classificou o episódio como “um tapa na cara do Brasil”, crítica que abriu novo atrito entre Novo e PL e provocou reação de aliados bolsonaristas. Nos bastidores, integrantes do PL interpretaram o movimento como tentativa de Zema de se descolar do bolsonarismo e consolidar candidatura própria ao Palácio do Planalto.
O aumento da atividade política e digital é reconhecido inclusive por pesquisas de monitoramento de redes. Levantamento da Datrix mostrou crescimento expressivo do alcance digital de Zema nos últimos meses, impulsionado por maior volume de publicações e engajamento nas plataformas. O avanço, contudo, ainda não encontra correspondência proporcional nas pesquisas eleitorais tradicionais.
Ao mesmo tempo em que busca ocupar espaço nacional, Zema também enfrenta desgaste político ligado a sua passagem pelo governo mineiro e ao grupo político que o sucedeu no estado. Reportagens recentes e manifestações parlamentares levantaram questionamentos sobre contratos públicos, políticas fiscais e dados administrativos da gestão. Entre os episódios está a cobrança da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT-MG), por acesso a informações relacionadas a investigação envolvendo contrato estimado em R$ 348 milhões, além de críticas e pedidos de esclarecimento sobre indicadores e benefícios fiscais conduzidos durante a administração estadual.
Até o momento, não há conclusão oficial que atribua irregularidades ao ex-governador ou a integrantes de sua gestão, mas os questionamentos ampliam a pressão política sobre o grupo de Zema justamente quando ele tenta consolidar imagem nacional.
O levantamento Meio/Ideia foi realizado entre 23 e 27 de maio, com 1.500 entrevistas telefônicas em todo o país, margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-02918/2026-BRASIL.