Vacinação contra dengue começa nesta quinta em Itaguara para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos
Campanha ocorre em meio a alerta para alto risco de epidemia e reforça necessidade de prevenção contínua contra o Aedes aegypti

Luciano Meira
A Prefeitura de Itaguara inicia amanhã a vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em todas as unidades de Estratégia Saúde da Família (ESF), das 8h às 15h, em meio a um cenário de alto risco para avanço da doença no município. A aplicação segue a estratégia nacional que prioriza essa faixa etária por concentrar uma das maiores taxas de hospitalização por dengue no país, atrás apenas dos idosos.
Como será a vacinação em Itaguara
De acordo com a divulgação feita pela Prefeitura de Itaguara nas redes oficiais, a vacinação será exclusiva, neste primeiro momento, para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, que devem procurar a unidade de ESF de referência a partir desta quinta-feira, 5 de fevereiro, no horário das 8h às 15h. A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é que os responsáveis levem documento de identificação e cartão de vacinação, para registro da dose e verificação de outras vacinas em atraso.
A campanha utiliza a vacina Qdenga, já incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), indicada para indivíduos de 4 a 59 anos, mas disponibilizada na rede pública, por decisão do Ministério da Saúde, prioritariamente ao grupo de 10 a 14 anos. O esquema é de duas doses, com intervalo de três meses entre elas, sendo fundamental completar o calendário para garantir proteção adequada e duradoura contra a doença.
Contexto: cidade sob risco de nova explosão de casos
Itaguara vem enfrentando sucessivos alertas relacionados à dengue e já figurou entre os municípios mineiros com maior incidência de casos suspeitos da doença em 2024, com notificações que chegaram a atingir cerca de 11% da população estimada. Em novo comunicado recente, a prefeitura informou que o primeiro Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) de 2026 apontou alto risco para dengue, com a maioria dos focos do mosquito encontrada dentro das residências.
O quadro local acompanha a preocupação nacional: o Ministério da Saúde estruturou uma estratégia específica de vacinação justamente para frear o número de hospitalizações por dengue entre crianças e adolescentes, grupo que registrou mais de 16 mil internações no país entre 2019 e 2023. Especialistas ressaltam que, em contextos de elevada circulação viral como o já observado em Itaguara, a combinação entre vacinação e eliminação de criadouros do mosquito é considerada essencial para evitar uma nova epidemia.
O que é a vacina Qdenga e quem não pode tomar
A Qdenga é uma vacina tetravalente de vírus vivo atenuado, desenvolvida para proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), e pode ser aplicada independentemente de a pessoa já ter tido ou não a doença. Estudos clínicos indicam que o imunizante reduz de forma expressiva o risco de hospitalização por dengue, com eficácia global em torno de 84% para casos que exigem internação.
Apesar dos benefícios, há contraindicações: não devem receber a vacina crianças menores de 4 anos, pessoas com 60 anos ou mais, gestantes, lactantes, indivíduos com imunodeficiência ou sob tratamento imunossupressor e aqueles que já tiveram reação alérgica grave a dose anterior. A Secretaria de Saúde recomenda que responsáveis informem ao profissional qualquer doença prévia relevante ou uso de medicamentos contínuos antes da aplicação do imunizante.
Vacina não substitui combate ao mosquito
Autoridades sanitárias lembram que a vacina é uma ferramenta adicional, mas não substitui as ações de controle do Aedes aegypti, vetor da dengue, chikungunya e zika. Em comunicados recentes, o município reforçou que a maior parte dos focos do mosquito continua sendo encontrada dentro de casas e quintais, em recipientes com água parada como pratos de plantas, caixas d’água destampadas, pneus e garrafas.
Campanhas estaduais e federais recomendam que moradores façam vistorias semanais em seus imóveis, eliminem qualquer acúmulo de água e mantenham calhas, ralos e reservatórios sempre limpos e protegidos, além de separar corretamente o lixo para evitar criadouros. Especialistas reforçam que, mesmo quem será vacinado, deve manter o cuidado redobrado com o ambiente, já que nenhuma vacina oferece proteção de 100% contra a infecção.
Orientações para pais e responsáveis
Para vacinar crianças e adolescentes, é necessária a presença de pai, mãe ou responsável legal, para o consentimento para aplicação nas unidades de ESF. As autoridades de saúde pedem que a população acompanhe os canais oficiais da prefeitura para atualizações sobre disponibilidade de doses, possíveis ampliações da campanha e eventuais dias de intensificação, como mutirões.
Profissionais de saúde orientam ainda que, após a vacinação, é comum a ocorrência de reações leves, como dor no local da aplicação e febre baixa, mas sinais de alerta, como febre alta persistente, dor abdominal intensa ou sangramentos, exigem atendimento médico imediato, vacinado ou não. Em caso de dúvidas sobre elegibilidade, histórico de dengue ou intervalo com outras vacinas, a recomendação é procurar antecipadamente a unidade de saúde para esclarecimentos.
