Império Serrano homenageia Conceição Evaristo no Carnaval 2026
Escola de Madureira revelará enredo inspirado nas "escrevivências" da escritora mineira na Série Ouro, em busca do retorno ao Grupo Especial

Luciano Meira
O Grêmio Recreativo Escola de Samba Império Serrano, tradicional agremiação do carnaval carioca, em seu samba-enredo para o Carnaval 2026 prestará homenagem à escritora Conceição Evaristo, com o tema “Ponciá Evaristo Flor do Mulungu”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteves. A escola, fundada em 1947 no Morro da Serrinha, em Madureira, é conhecida por inovações como a introdução do agogô de quatro bocas na bateria e a criação da primeira escola mirim do Rio, o Império do Futuro, além de nove títulos no extinto Grupo 1. Após conquistar o título da Série Ouro em 2022, o Império desfilará na quarta posição no sábado de carnaval, 14 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí, mirando a vitória e o retorno ao desfile principal.
Trajetória do Império Serrano
Nascida de uma dissidência do Prazer da Serrinha, a verde e branca de Madureira surgiu com princípios democráticos, sem patronos, e inspirada no Sindicato dos Estivadores, de onde vieram fundadores como Sebastião Molequinho, Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira. A escola acumulou tetracampeonato nos primeiros desfiles (1948-1951) e clássicos como “Aquarela Brasileira” (1964) e “Cinco Bailes da História do Rio” (1965), mas enfrentou alta s e baixas, alternando entre elite e acesso. Sua “Sinfônica do Samba”, com ala de agogôs, e a ala coreografada “Sente o Drama” (1963) marcaram a história do samba, reforçando o apelido de “Reizinho de Madureira”.
Conceição Evaristo e sua obra
Mineira de Belo Horizonte, nascida em 1946 em família pobre e negra, Conceição Evaristo trabalhou como empregada doméstica antes de se formar em magistério e se mudar para o Rio em 1971, onde lecionou e se formou em Letras pela UFRJ. Sua literatura, centrada nas “escrevivências” — termo criado por ela para narrativas de mulheres negras baseadas em vivências reais —, denuncia racismo, desigualdades e violência, como em “Ponciá Vicêncio” (2003), seu primeiro romance, e “Olhos d’Água” (2014), vencedor do Jabuti. Em 2024, eleita para a Academia Mineira de Letras, Evaristo vê na homenagem do Império um retorno de sua inspiração popular ao povo, reforçando o samba como espaço educativo.
O samba-enredo e o enredo
O enredo mistura ficção, biografia e personagens de Evaristo, como Ponciá Vicêncio, para exaltar sua força literária contra opressões sociais, evocando ancestralidade, folias de Reis e elementos como Oxum e mulungu. O samba vencedor, de Hamilton Fofão e parceiros como Dudu Senna e Leandro Maninho, saiu de disputa acirrada em outubro de 2025 e celebra “a flor do mulungu” que reescreve histórias nas “pretas mãos”, silenciando fuzis com a caneta. A obra promete emocionar na avenida, conectando literatura negra à raiz do samba imperiano.
