Justiça italiana acata pedido e determina extradição de Carla Zambelli para o Brasil

Decisão da Corte de Apelação de Roma encerra meses de disputa jurídica e abre caminho para que ex-deputada cumpra pena de 15 anos determinada pelo STF

Carla Zambelli -Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

A Justiça da Itália autorizou nesta quinta-feira (26) a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil. A decisão da Corte de Apelação de Roma atende ao pedido formulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo governo brasileiro. Zambelli está presa na capital italiana desde 29 de julho de 2025, após deixar o país pouco antes do esgotamento dos recursos judiciais que confirmaram suas condenações criminais. O advogado de Carla Zambelli diz que irá recorrer da decisão.

O processo de extradição tramitou sob sigilo e enfrentou sucessivos adiamentos nos últimos meses. A defesa da ex-parlamentar tentou barrar o envio ao Brasil alegando falta de segurança no sistema prisional e parcialidade do Judiciário brasileiro. Contudo, o tribunal italiano considerou que as garantias oferecidas pelo ministro Alexandre de Moraes sobre a salubridade e segurança da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a “Colmeia”, foram suficientes para o deferimento
A trajetória de Zambelli até a prisão em solo estrangeiro começou com duas condenações no STF. A primeira, de dez anos de prisão, refere-se à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos, incluindo um falso mandado de prisão contra Moraes. A segunda condenação, de cinco anos e três meses, envolve porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, relacionada ao episódio em que a ex-deputada perseguiu um homem com arma em punho em São Paulo.

Em junho de 2025, logo após o STF decretar sua prisão definitiva, Zambelli viajou para os Estados Unidos e, posteriormente, para a Itália, onde possui cidadania. A Polícia Federal brasileira acionou a Interpol e trabalhou em cooperação com as autoridades italianas para localizá-la. A ex-deputada renunciou ao mandato parlamentar em dezembro, após determinação do STF para a posse imediata de seu suplente.

Durante o julgamento em Roma, o Ministério Público da Itália emitiu parecer favorável à extradição, argumentando que os crimes cometidos não possuem natureza estritamente política. A defesa ainda pode recorrer à Corte de Cassação, instância máxima da Itália, mas juristas avaliam que as chances de reversão são reduzidas diante da robustez das provas e do cumprimento dos requisitos do tratado bilateral entre os países.

O governo brasileiro, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), acompanhou todas as fases das audiências. O ministro da Justiça da Itália terá a palavra final sobre a execução do traslado após o trânsito em julgado na corte local. A expectativa é que, se mantida a decisão, o retorno de Zambelli ocorra nas próximas semanas, sob escolta da Polícia Federal.

A decisão da Justiça italiana reforça o caráter de cooperação internacional no combate a crimes cibernéticos e atentados contra instituições democráticas. O desfecho do caso Zambelli sinaliza um limite jurídico para o uso da cidadania europeia como escudo contra condenações em solo brasileiro. Politicamente, o caso encerra um ciclo de impasses que tensionou as relações institucionais entre os poderes e testou a eficácia das ordens de prisão do Supremo Tribunal Federal fora das fronteiras nacionais.

O Metropolitano

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