Evento em Divinópolis indica formação de eventual chapa de Cleitinho para o Governo de Minas
Senador lidera as pesquisas e presença de Marcelo Aro e Domingos Sávio pode sinalizar abandono de Mateus Simões

Luciano Meira
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) reuniu lideranças políticas em Divinópolis nesta segunda-feira (6) para o lançamento da pré-candidatura à reeleição de seu irmão, o deputado estadual Eduardo Azevedo. O evento contou com a participação do ex-secretário da Casa Civil, Marcelo Aro, e do deputado federal Domingos Sávio (PL). A articulação ocorre em um momento de indefinição sobre a sucessão do governador Romeu Zema (Novo) e fortalece o nome de Cleitinho para a disputa ao Palácio Tiradentes em 2026.
A movimentação política sucede a filiação do senador Carlos Viana ao PSD, partido do governador Mateus Simões. A entrada de Viana na legenda alterou o planejamento inicial da base governista, que previa Simões como o nome de consenso do grupo. O novo cenário partidário gerou instabilidade entre os aliados de Simões e abriu espaço para novas composições estratégicas no campo da direita mineira, contrariando acordos firmados anteriormente.
Marcelo Aro que ainda exerce influência direta na articulação política do governo estadual e mantém diálogo com diversas legendas da Assembleia Legislativa, com sua presença no reduto eleitoral da família Azevedo pode indicar uma aproximação com o senador Cleitinho, que atualmente lidera as sondagens eleitorais. Interlocutores avaliam que o movimento pode resultar em uma chapa majoritária unificada entre Republicanos, Progressistas e o Partido Liberal, consolidando uma força paralela à candidatura oficial do PSD de Simões.
O deputado Domingos Sávio, presidente do PL em Minas Gerais, oficializa hoje sua pré-candidatura ao Senado Federal. Sávio busca consolidar um palanque conservador para o pleito e ressaltou a importância de uma convergência entre as forças de oposição ao governo federal. A aproximação entre o parlamentar e Cleitinho sinaliza a formação de uma frente ampla que pode isolar a candidatura de Mateus Simões dentro da própria coalizão montada por Zema.
Pesquisas de intenção de voto corroboram o protagonismo do senador Cleitinho na corrida eleitoral. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas apontou o parlamentar com 45,8% da preferência do eleitorado mineiro em um cenário estimulado para o governo. Em contrapartida, o vice-governador Mateus Simões apareceu com índices que variam entre 2% e 8% nas sondagens recentes. A disparidade numérica pressiona os partidos aliados a reavaliarem a viabilidade da candidatura de Simões.
Integrantes do governo e parlamentares da base manifestam preocupação com a possível fragmentação do grupo político nas próximas eleições. O senador Carlos Viana afirmou que o Senado Federal é o espaço para a “pressão final” e destacou a responsabilidade de Minas Gerais nas decisões federativas. A disputa interna pelas duas vagas na composição majoritária deve intensificar o processo de negociações e trocas partidárias ao longo dos próximos meses no estado.
O impacto político de uma eventual candidatura de Cleitinho altera o equilíbrio de forças regional e nacional. Minas Gerais possui o segundo maior colégio eleitoral do país e funciona como termômetro para as disputas presidenciais. Socialmente, a transição de um perfil técnico-administrativo para uma liderança de forte apelo popular pode reorientar as prioridades de investimento estadual.
