Presença de facções criminosas cresce 68% em Minas Gerais sob gestão Zema
Número de detentos ligados a grupos organizados salta de 1.900 para 3.200 em sete anos

Luciano Meira
O número de presos vinculados a facções criminosas em Minas Gerais registrou um crescimento de 68% nos últimos sete anos. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) indicam que o contingente saltou de aproximadamente 1.900 indivíduos, em 2019, para 3.200 em 2026. O período coincide com o início e a continuidade da gestão do governador Romeu Zema (Novo).
A expansão das organizações ocorre principalmente dentro do sistema prisional mineiro. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) são as principais estruturas identificadas pelas autoridades de inteligência. A localização geográfica de Minas Gerais, que faz divisa com estados das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, facilita o uso do território como rota para o tráfico internacional de drogas e armas.
O secretário de Segurança Pública de Minas Gerais, Rogério Greco, afirma que o aumento das prisões demonstra a eficiência do monitoramento estatal. Segundo o secretário, a integração entre as polícias Civil, Militar e Penal permite identificar lideranças e desarticular a comunicação interna nos presídios. Greco ressalta que o foco atual das operações é o asfixiamento financeiro dos grupos para reduzir o poder de mobilização das facções.
Especialistas em segurança pública apontam que o crescimento desses grupos em Minas Gerais contrasta com a redução de indicadores de criminalidade em outras regiões do país. Entre 2020 e 2024, o estado registrou alta de 18% nos homicídios dolosos, enquanto o Brasil apresentou queda média de 16,5% no mesmo índice. Críticos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais vinculam o cenário à redução do efetivo policial e a falhas no investimento em infraestrutura básica.
Os desdobramentos dessa expansão impactam diretamente a segurança urbana e a economia local. A presença de facções estimula crimes correlatos, como o tráfico de entorpecentes em áreas residenciais e ataques a instituições financeiras no interior. A tendência indica que a segurança pública permanecerá como um ponto central de debate político, exigindo maior coordenação entre o governo estadual e o governo federal para o controle das fronteiras e do sistema carcerário.
A análise do cenário revela um desafio estrutural para a administração mineira. O fortalecimento das facções sob a gestão Zema impõe a necessidade de revisar estratégias de contenção territorial e prevenção social. O impacto político dessa alta reflete-se na pressão popular por resultados mais efetivos na redução da violência letal, consolidando a segurança como o principal gargalo para o desenvolvimento socioeconômico do estado nos próximos anos.
