Barrado no baile: PL abandona Mateus Simões e decide apoiar Cleitinho para o governo mineiro

Isolamento político e baixos índices em pesquisas sepultam pretensões eleitorais do sucessor de Zema

Mateus Simões (PSD) – Reprodução Redes Sociais

Luciano Meira

O Partido Liberal (PL) oficializou o recuo na aliança com o Novo em Minas Gerais e decidiu apoiar a pré-candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao Palácio Tiradentes. A decisão interrompe a estratégia de continuidade do projeto de Romeu Zema (Novo), personificada no atual governador Mateus Simões (PSD). A cúpula da legenda avaliou que a manutenção do apoio a Simões representaria um risco alto para o palanque de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo maior colégio eleitoral do país.

O movimento ocorre após uma série de tentativas frustradas de aproximação articuladas pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e Mateus Simões. Nikolas acompanhou o governador em diversos eventos pelo interior do estado, como em Juiz de Fora e Ponte Nova. As agendas, embora classificadas oficialmente como entregas de obras e anúncios de investimentos, serviram como testes de popularidade para a chapa. O resultado, contudo, não atingiu as expectativas do diretório nacional do PL.

Os dados da última pesquisa Genial/Quaest, divulgada no final de abril, foram determinantes para o desembarque. Enquanto Cleitinho Azevedo lidera isolado com índices que variam entre 30% e 37%, Mateus Simões amarga um desempenho considerado insignificante, oscilando entre 3% e 5% das intenções de voto. A disparidade numérica convenceu os articuladores do PL de que Simões não possui a tração necessária para enfrentar nomes como Alexandre Kalil (PDT) e Rodrigo Pacheco (PSD).

Nos bastidores, a obrigação de Simões em defender o legado de Romeu Zema é vista como o principal entrave de sua campanha. Interlocutores políticos afirmam que o atual governador não conseguiu construir uma identidade própria, tornando-se refém da imagem de um padrinho que agora prioriza a disputa presidencial. O apoio irrestrito a Zema, que inicialmente parecia um ativo, transformou-se na pá de cal que sepulta as intenções de Simões para as grandes coligações de direita.

Além disso, Mateus Simões tem diante de si outro palanque ligado à sua campanha eleitoral. Sendo do PSD, terá a sua propaganda eleitoral vinculada à legenda e ao candidato presidencial Ronaldo Caiado.

A resistência de Nikolas Ferreira também pesou na decisão. Apesar da presença física nos eventos de governo, o parlamentar sempre evitou declarar apoio formal à candidatura do Novo. Em entrevistas recentes, Nikolas enfatizou que a prioridade do PL é garantir um palanque forte para a família Bolsonaro, sugerindo que Cleitinho possui uma conexão mais orgânica com o eleitorado conservador mineiro do que o perfil técnico e moderado de Simões.

Com a saída do PL, a candidatura de Mateus Simões entra em uma fase de isolamento político severo. Sem o tempo de TV e os recursos do fundo partidário da legenda liberal, o PSD mineiro terá dificuldades para viabilizar a estrutura necessária para uma eleição majoritária. A estratégia de Simões agora depende de uma improvável reviravolta na popularidade do governo estadual ou de uma desistência de outros nomes da direita que hoje ocupam seu espaço.

A fragmentação da base governista abre espaço para o avanço da oposição e coloca em dúvidas a hegemonia que o grupo de Zema pretendia estabelecer por mais quatro anos. Com isso, o mercado deve passar a observar com cautela a movimentação política, uma vez que a continuidade de políticas fiscais e de desestatização dependiam diretamente da sucessão de Zema.

O Metropolitano

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