Ignorantes úteis: Redes sociais lideram como fonte de informação e dão tração às “tias do zap”

Pesquisa revela preferência por plataformas digitais onde mentiras e notícias falsas circulam sem controle

Imagem criada por IA – RMC

Luciano Meira

A maioria dos eleitores brasileiros escolhe as redes sociais como principal fonte de informação sobre política. De acordo com a 25ª rodada da pesquisa Genial/Quaest, realizada em maio de 2026, plataformas como WhatsApp, Instagram e Facebook superam os meios de comunicação tradicionais. O dado acende um alerta sobre a qualidade do debate público no país.

Nas redes sociais, não existe o compromisso com a verdade ou com as boas práticas jornalísticas observadas na imprensa profissional. O ambiente digital permite que mentiras e notícias falsas sejam propagadas sem qualquer filtro editorial ou controle institucional. Essa ausência de rigor transforma o espaço público em um território fértil para a desinformação deliberada, capaz de causar danos irreparáveis a reputações e instituições democráticas.

Os propagadores de notícias falsas atuam como criminosos que buscam alcançar interesses políticos e financeiros específicos. Esses agentes estruturam redes de desinformação para manipular a opinião pública e obter lucros por meio do engajamento digital. A prática, embora travestida de liberdade de expressão, configura um ataque direto à veracidade dos fatos e à integridade do processo eleitoral.

O ecossistema da mentira depende também dos chamados “ignorantes úteis”, conhecidos popularmente como as “tias do zap”. Esses usuários compartilham postagens sem conferir a origem ou a veracidade da informação. Para esse grupo, basta que o conteúdo da mensagem seja compatível com seus posicionamentos ideológicos prévios para que o botão de compartilhamento seja acionado de forma automática.

Especialistas alertam que o compartilhamento de notícias falsas pode ser caracterizado como crime em diversas circunstâncias. As “tias do zap”, que geralmente utilizam perfis reais e identificáveis, podem responder judicialmente por delitos cometidos por terceiros. A ignorância sobre o funcionamento das leis não isenta o usuário da responsabilidade civil e criminal sobre o conteúdo que ele ajuda a disseminar.

Os manuais de redação jornalística enfatizam que o jornalismo deve ser crítico e não “adoçar a realidade”. O distanciamento crítico e a busca pela objetividade são fundamentais para que o leitor receba informações fundamentadas e não versões interessadas dos fatos. O cenário revelado pela pesquisa Genial/Quaest aponta para uma sociedade que prefere a conveniência do algoritmo à segurança da apuração profissional.

O impacto social dessa mudança é a fragmentação da realidade, onde cada grupo passa a habitar uma bolha informativa isolada do contraditório, que fortalece o extremismo e dificulta a construção de consensos mínimos baseados em dados reais.

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