Zema patina na intenção de votos e perde para brancos e nulos em cenário de pesquisa
Pré-candidato do Novo amarga desempenho insignificante na pesquisa e vê rejeição à política superar seu nome na esteira de recuos e ataques

Luciano Meira
A mais recente pesquisa nacional do instituto Futura Inteligência, em parceria com a Apex Partners, capturou o impacto imediato do maior escândalo político da temporada: a divulgação dos áudios em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro.
O escândalo desencadeou um embate na direita depois que o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), foi às redes sociais classificar a atitude do bolsonarista como “imperdoável”. Diante da forte reação da ala aliada, Zema recuou dias depois em um evento oficial dizendo que a polêmica era “página virada”. A trégua ruiu após a revelação de que Flávio Bolsonaro se encontrou secretamente com Vorcaro apenas um dia após o banqueiro ser solto da prisão; a notícia fez Zema voltar com força ao ataque durante o encontro do Novo em Santa Catarina, cobrando “credibilidade”. Contudo, as movimentações não surtiram o efeito desejado: os números divulgados mostram que, no cenário sem nenhum integrante da família Bolsonaro na disputa — Flávio ou Michele, Romeu Zema amarga a derrota para o voto nulo, branco e de nenhum candidato.
A pesquisa Futura/Apex confirma um duplo problema que já vinha se desenhando nos bastidores: o desempenho do ex-governador mineiro segue insignificante nas intenções de voto nacionais. Ele demonstra fazer muito mais sucesso como “tiktoker” e produtor de conteúdo digital de forte engajamento — onde chega a ganhar centenas de milhares de seguidores em curtos intervalos de tempo ao adotar falas agressivas — do que como uma alternativa real de poder no mundo físico. No segundo cenário testado pelo instituto (uma simulação de primeiro turno sem Flávio Bolsonaro na cédula), a fatia que rejeita as opções postas e declara voto em Ninguém/Branco/Nulo lidera o bloco não governista com 18,3%, enquanto Romeu Zema atinge somente 13,3% nominalmente.

O histórico de dados públicos recolhidos na web evidencia que o projeto de nacionalização do nome do Novo patina nas mesmas marcas desde as primeiras amostragens. Em levantamentos anteriores, como os da Genial/Quaest, Zema já pontuava em patamares baixíssimos e demonstrava possuir pouca ou nenhuma “influência” de transferência de voto, inclusive dentro do seu próprio reduto eleitoral, o estado de Minas Gerais onde seu candidato a sucessor, Mateus Simões (PSD), também amarga números insignificantes de intenção de votos.
Mesmo operando em um ecossistema digital altamente favorável, com milhões de visualizações em plataformas de vídeos curtos, o político mineiro não consegue reverter curtidas virtuais em votos reais. O eleitorado órfão do bolsonarismo tradicional prefere se refugiar na abstenção ou anulação do voto a embarcar em sua candidatura, deixando o ex-governador isolado em uma bolha digital de baixa densidade eleitoral. O diagnóstico das urnas virtuais mostra que a agressividade das redes sociais não substitui a solidez de um projeto político orgânico.
