Brasil e China negociam protocolo que pode transformar exportação de carne e soja

Nova parceria entre os países promete acelerar comércio agrícola com integração ambiental e tecnológica

Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

O Brasil e a China estão desenvolvendo um protocolo bilateral inovador para o fornecimento de carne e soja, com foco em certificações ambientais e integração tecnológica. Esta iniciativa surge como resposta estratégica à conjuntura internacional marcada, em 2025, pela imposição de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e pelo aumento das exigências de rastreabilidade e sustentabilidade nos mercados globais. O novo acordo privilegia o reconhecimento das certificações ambientais brasileiras, como os selos “Carne Carbono Neutro” e “Soja de Baixo Carbono”, favorecendo exportações e agregando valor aos produtos agrícolas nacionais.

O protocolo prevê mecanismos de validação mútua para certificações ambientais, rastreabilidade digital dos produtos e integração de sistemas, incluindo o uso de QR codes e bases de dados compartilhadas entre os dois países. Empresas brasileiras e chinesas colaboram para alinhar os requisitos de emissão de carbono, manejo do solo e bem-estar animal. A iniciativa foi articulada em missões oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária brasileiro à China, reunindo representantes do setor produtivo e acadêmico dos dois países.A carne bovina, item central das exportações brasileiras, e a soja, principal produto vendido para o mercado chinês, são prioridades neste protocolo. Em 2024, a China foi destino de cerca de 57% da carne bovina exportada pelo Brasil, destacando a importância da cooperação. O acordo prevê ainda visitas técnicas de autoridades chinesas ao Brasil para conhecer os sistemas tecnológicos de rastreamento e certificação ambiental, considerados etapa final antes da formalização do protocolo.

A medida é vista como estratégica para o agronegócio brasileiro. A padronização e reconhecimento dos certificados ambientais deverá facilitar o acesso ao exigente mercado chinês, antecipando demandas regulatórias que tendem a se tornar mandatórias nos próximos anos. O setor espera que a parceria fortaleça a competitividade do Brasil, reduza barreiras não tarifárias e abra novas oportunidades num contexto de guerra comercial e mudanças nas cadeias de suprimentos globais.

Além das questões comerciais, o protocolo reforça o papel do Brasil e da China como protagonistas na definição de padrões internacionais para a produção sustentável e rastreável de alimentos. A cooperação entre os países pode servir de modelo para outros acordos bilaterais, elevando o patamar do agronegócio brasileiro no cenário mundial.

O Metropolitano

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